ISABELLA
Uma jaqueta pesada caiu de novo sobre o meu corpo, cobrindo a minha nudez.
O cheiro invernal invadiu meu nariz na mesma hora e quase fez a minha loba traidora ronronar.
— Aurelius, você tá assustando a garota…
— Esse é o meu problema com ela. Não se mete onde não é chamado, Leonardo — ele rosnou entre os dentes e me pegou pelo braço pra me arrastar pra dentro do vestiário.
Quase me arrastando, ele me levou, e eu baixei a cabeça, morrendo de vergonha dessa ceninha toda.
— Acabou o descanso, senhores, voltem pro treino! — as vozes dos instrutores voltaram a encher a sala.
Olhei por cima do ombro, com os olhos cheios de preocupação e de pedido de desculpas pro professor.
“Não se atreva a continuar olhando assim pra outro homem na minha frente!” O rugido na minha mente quase me paralisou.
Entramos num vestiário vazio e, de repente, meu corpo foi encurralado entre a porta de metal de um armário e um lycan gigantesco de quase dois metros.
— Sua majestade, eu não…
— Você não o quê?… sempre não quer, não pode, não é culpa sua… — ele me cortou e começou a despejar as palavras sem parar.
A mão grosseira dele foi até o meu queixo e segurou com força, me obrigando a encarar aqueles olhos selvagens, cheios de gelo.
— Não foi suficiente pra você sair quase pelada na frente de tanto macho? O que você tá tentando, Savannah? Me deixar com ciúmes? Fala!
Ele socou a porta atrás de mim como uma fera e quase arrancou ela das dobradiças.
Meu coração batia tão rápido que achei que fosse pular pra fora.
— Sua majestade… foi o uniforme que me deram… eu não escolhi isso…
— Mas você escolheu sair e se exibir pros olhares lascivos deles, pras perversões que eles tão pensando — ele se aproximou, descendo a mão pra envolver o meu pescoço de um jeito perigoso.
O aperto firme e possessivo, ele inclinado sobre a minha estatura pequena.
Os olhos dele desceram pros meus seios e a mesma luxúria aparecia ali, misturada com uma raiva descontrolada.
— Você não faz ideia do quanto eu fiquei furioso quando senti os feromônios nojentos deles enquanto olhavam pra sua bunda. Você é a minha Serafina!
Ele rugiu de um jeito que até a minha alma, e até as paredes, tremeram.
Os caninos pra fora pareciam perigosos de um jeito obscuro. Minhas mãos suavam contra o armário.
— Eu… não vou fazer isso de novo…
— É bom mesmo, Savannah, porque se você quer se comportar como uma qualquer, então me avisa… — ele me alertou, com um brilho de ódio nas pupilas.
— … que eu te trato como mais uma puta.
Essas palavras foram como um soco direto no meu peito, e eu até me encolhi como se tivesse levado um golpe de verdade.
Por que me importava tanto o que esse prepotente achava de mim?
— Então acho que pode dar a disputa por encerrada, sua majestade — retruquei no impulso, com o tom tão frio quanto o dele.
— Acho que a Miska é uma opção mais “decente” pro senhor.

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