ALISTAIR
Assim que a vi se levantar da mesa, soube que era a minha oportunidade.
Tudo tinha sido planejado. Havia uma entrada oculta para o quarto dela através de um espelho encantado.
Mandei preparar aquele quarto especialmente para ela, com todas aquelas cores suaves e bonitas que ela adorava.
Todo esse tempo lutei contra o impulso de espioná-la através daquele espelho.
Eu poderia tê-la observado sem que ela percebesse, mas sinceramente não queria me transformar em algum tipo de perseguidor pervertido.
Mas, neste momento, eu tinha todo o direito de roubá-la e levá-la para um lugar pensado só para nós dois.
*****
—Deusa... é lindo... —murmurou, e sorri por dentro, satisfeito enquanto a via erguer o olhar para o teto de vidro do planetário.
Este edifício era a torre mais alta, e dava para ver todo o céu através da enorme cúpula sobre as nossas cabeças.
—Aqui poderemos praticar. Você está pronta? —falei, atraindo a atenção dela de volta para mim enquanto meu olhar descia para aqueles lábios carnudos, ainda entreabertos pelo assombro.
—Hã? Claro... estou pronta.
Não, não estava. As mãos dela tremiam, embora estivesse se esforçando tanto para parecer durona.
—Olha este círculo de runas no centro, bem debaixo dos raios da lua. Vou te explicar uma por uma...
Eu me obriguei a me concentrar, porque estávamos aqui para estudar...
Kiara era muito inteligente, e entendeu na hora o feitiço que eu tinha pintado no chão.
—Isso vai ajudar a nossa magia a se misturar?
—Vai nos dar um empurrão extra, mas a parte mais importante é... bem, é mais fácil te mostrar do que explicar...
Falei, ficando impaciente, enquanto arrastava a esteira que eu tinha preparado antes.
—E isso é para quê? —perguntou com cautela.
—O quê? Está com medo de que eu pule em cima de você e tire a sua preciosa virgindade? —provoquei, vendo como ela fazia aquele biquinho adorável que sempre colocava quando não sabia como me responder.
Pfft... ela era gostosa pra caralho.
—Eu não vou ficar aqui sentado durante horas com a bunda direto no chão...
Acrescentei enquanto a guiava até o centro do enorme círculo de runas.
Me deixei cair na esteira e tirei os sapatos, ficando só de meias.
—Vem aqui —chamei, observando enquanto ela fazia o mesmo.
Ela deixou os sapatos arrumadinhos ao lado dos meus, que estavam todos bagunçados.
Até os nossos sapatos denunciavam as nossas personalidades.
Ela se sentou na minha frente, e eu peguei as mãos trêmulas e frias dela.
—Fecha os olhos e recita comigo. Não pense em nada. Só deixa a sua magia fluir...
Tentei ficar sério. Aquilo não era atuação nenhuma.
Eu tinha preparado tudo para ajudar a nossa magia a se sincronizar... e porque queria voltar a respirar o aroma calmante dela.
Mas meia hora depois, ela continuava tão tensa que essa prática não estava funcionando.
Abri os olhos e a encontrei de cenho franzido.


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