KADEN
— Você realmente acha que pode escolher? Acho que está esquecendo as regras desse jogo, Miska.
Ela encolheu o pescoço como uma covarde quando a encarei.
— Kaden, não seja tão duro comigo…
— Não me chama de Kaden de novo. Quantas vezes eu tenho que repetir? — minha voz se elevou um pouco e alguns convidados olharam na nossa direção.
Tinha um arranjo de flores bem grande que nos cobria.
Mesmo assim, bastou eu lançar um olhar assassino para que voltassem pros seus malditos assuntos.
— A minha paciência tem limite e você está passando dele — baixei o tom, sentindo o corpo dela tremer e a cabeça se abaixar em submissão.
A loba dela gemia, desconfortável, sob a aura opressiva de Ash.
— E acredita em mim, você não vai querer saber o que vai acontecer se continuar me provocando — avisei entre dentes.
— Fica calada, usa essa sua cabeça de vento para algo mais do que só planejar baixarias e talvez, se for uma boa Alfa, eu acabe te escolhendo.
Ela sabia muito bem que aquelas ameaças idiotas dela eram só fumaça.
— Aqui quem manda sou eu, eu é que tenho a palavra final, não se engane, Miska.
O corpo inteiro dela se sacudia, a cabeça baixa numa postura de quem quer me agradar.
— Entendi — sussurrou, parecendo mais uma Omega do que uma Alfa.
Por que aquela outra loira problemática não podia ser mais obediente?
— Vai para a festa — ordenei, finalmente decidido a ir embora.
Eu sabia que ela não ia sair do salão nem se ele estivesse pegando fogo. De tão obediente que era.
Senti os olhos dela cravados nas minhas costas enquanto eu saía para o lado de fora.
— Eu imaginava que você não ia aguentar muito… — a voz de Darius chegou até mim de um canto escuro.
Ele fumava, escondido na escuridão e encostado na parede, olhando as voltas da fumaça subindo.
A camisa do terno aberta no pescoço e a gravata jogada de qualquer jeito sobre o ombro.
— Eu preciso de ar… — confessei.
— Você precisa é caçar uma Omega rebelde, para falar a verdade essa garota já está me caindo bem — disse num tom de deboche e eu rosncei baixo.
— Não sou o único que foi deixado plantado hoje à noite — cutuquei onde eu sabia que incomodava.
— Ninguém me deixou plantado, você não viu minha noiva lá dentro? — respondeu em voz baixa, jogando o cigarro no chão para pisar em cima.
Soltei um suspiro, cansado de tanto drama.
— Vou para as corridas, preciso aliviar o estresse, aproveita a sua noiva…
— Ele com certeza está lá apostando e fazendo escândalo — a voz rouca dele ecoou na noite.
— Vou me certificar de chutar a bunda dele por você — foi a última coisa que falei antes de me afastar.
No caminho, tirei o paletó e abri os botões da gola para conseguir respirar.
Desmanchei o cabelo cheio de spray. Tanto esforço para nada.
Ash rosnou o caminho inteiro falando de dar umas boas palmadas na bundona daquela Omega.
Eu tinha descoberto qual era o prédio do dormitório dela para mandar o vestido que mandei comprar, então subi as escadas de dois em dois degraus.
— É o príncipe?
— Aww, meninas, o príncipe está aqui!
Por mais que as fêmeas tentassem disfarçar as vozes empolgadas, eu conseguia ouvir sempre que encontrava algum grupo pelo corredor ou pelas frestas das portas.
Eu já estava acostumado a chamar atenção.
De todas, menos da Savannah, que parecia querer fugir de mim como se eu fosse a peste.
“Aqui”, meu lobo me avisou diante de uma porta no fim do corredor.
Puxei o ar, tentando me acalmar, e bati… uma vez, outra vez.
A cada batida eu pesava mais a mão, mais forte, mais violento.
Eu quase chutei a porta do dormitório dela, mas sabia muito bem que não tinha ninguém lá dentro.

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