NARRADORA
Aquele olhar estava cheio de tempestades, mas Kiara também vislumbrou algo muito oculto… a solidão. Uma solidão profunda demais, que se misturava com uma tristeza dilacerante e desespero.
—Sei que você ainda não o esqueceu, eu entendo —Elbraham deu um passo para trás, tirando as mãos dela que tocavam seu rosto.
Kiara compreendeu que o tinha chamado pelo nome do príncipe, que seus próprios desejos destruíram a ilusão de Elbraham.
—Eu…
—Tenho paciência e posso esperar por você —aquele ser antigo respondeu, olhando-a fixamente.
—Logo vai chegar o momento em que você terá que decidir, e eu não posso forçá-la a nada, Kiara. Mas você precisa saber que não pode ter nós dois…
A névoa de repente ficou espessa, rodeando Elbraham e mergulhando-o na escuridão até fazê-lo desaparecer no nada.
—Será ele ou eu…
Com essa sentença, ele a deixou finalmente sozinha na ponte.
Kiara levou a mão ao rosto, cada vez mais dividida entre seus próprios desejos.
Decidiu voltar para a mansão, talvez conversar com Ágata lhe faria bem, para que ela lhe explicasse o que realmente aconteceu com Alistair, porque Elbraham, como sempre, falava com ela por meio de enigmas.
No entanto, enquanto caminhava pela longa ponte e pensava em como fazer Minna voltar a falar com ela, percebeu que algo estranho estava acontecendo ao seu redor.
O mar calmo se movia com mais violência e o ar se tornava tempestuoso. As nuvens avançavam no céu, ocultando a luz da lua.
Kiara ouviu passos atrás dela e expandiu seus sentidos mágicos para sentir um grande poder que a perseguia.
Mesmo sem Elbraham presente, ela havia treinado sua magia intrínseca, era poderosa desde o nascimento e, sem o selo de restrição que seu pai havia colocado nela, podia competir com qualquer feiticeiro de primeira categoria.
Ela se virou com calma, olhando para o inimigo nas sombras, que avançou até parar sob a luz de um dos postes.
—A que devo a honra de Sua Majestade visitar pessoalmente uma simples híbrida? —Kiara perguntou com voz debochada.
Ela não tinha dúvidas, aquele era o Rei Arcano, aquele maldito cão manipulador. Não estava doente nem precisava de ajuda, só o cego do Alistair continuava acreditando em suas mentiras.

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