ISABELLA
Ela rugiu, lutando para se levantar apesar da palidez em seu rosto.
—Onde está meu companheiro?!
—Calma, Kiara, espera…! —gritei, lutando para empurrá-la de volta para a cama, mas suas pernas cederam e ela caiu sobre o tapete.
Eu a segurei em meus braços e uma ventania de dor crua, de desespero e agonia, bateu contra o meu peito.
Kiara rugiu entre soluços dilacerados, chamava por Alistair, lutava para se levantar apesar de seu corpo não responder.
Apesar da ajuda de Kaden, acho que ela tinha se esforçado demais, uma vez atrás da outra. Thera nem sequer conseguia encontrar Minna no meio de tanta dor.
—Calma… calma, pequena…
Acariciei suas costas, tentando controlar seus tremores. Meu coração doía por ela.
Ela era tão boa, mas tinha passado por tanta coisa. Por que as coisas tiveram que se distorcer assim?
Eu não podia dizer nada para consolá-la. Ao que parecia, o príncipe morreu… ou ia renascer… ou Kiara estava delirando entre gritos.
Ergui meus olhos vermelhos, também úmidos, e olhei direto para o rosto daquele homem que tinha se incorporado na cama.
Não restavam dúvidas de que era seu pai. Kiara se parecia muito com ele.
Ele a olhava com os olhos cheios de angústia e depois ergueu o olhar para mim com um aceno.
—Obrigada… —articulou, e eu também assenti. Eu me sentia confusa, não sabia como reagir diante dele.
Que tipo de pai ia embora para sempre e voltava a estas alturas?
Mas ele parecia ter seus motivos… Esse mundo da feitiçaria fazia sair fumaça da cabeça de tão complicado.
—Kiara?… Kiara!…
Ela tinha desmaiado de novo em meus braços, deixando minha blusa toda encharcada.
Uma sombra se projetou sobre nós e deixei que o homem a carregasse e a colocasse de novo na cama junto de sua companheira.
Ele se sentou na beirada, olhando para as duas, e sei que precisavam de seu tempo em família. Saí com discrição, limpando o rosto.
Deusa… que coisa deprimente tudo isso. Mas Kiara sempre me apoiou nos meus problemas, eu não falharia com ela desta vez.
Ouvi passos se aproximando e, quando ergui a cabeça, fui puxada contra um peito quente. Kaden me abraçou, acariciando meu cabelo.
Meu nariz farejou através da camiseta branca sob a jaqueta de couro. Seu cheiro me envolvia possessivo, devolvia minha calma.
Meus braços rodearam sua cintura enquanto eu tentava controlar meu próprio coração.
—Tenho que ir àquele porto, tenho que me certificar com meus próprios olhos de que ele morreu… Não acredito nisso… —disse em voz baixa sobre a minha cabeça.
Eu sentia a tensão em seus músculos. Apesar de suas mancadas, Alistair tinha acabado se tornando seu amigo. Kaden era um homem muito leal.
—Mas você nem sabe como chegar lá e, se for verdade tudo o que ouvimos… —afastei-me um pouco para olhá-lo.
—Kaden, se não há ninguém governando no palácio, haverá uma luta pelo poder e, se virem o príncipe lycan rondando por lá, capaz de nos culparem pelas mortes…
De repente, essa ideia passou pela minha cabeça.
—Eu sei, e por isso mesmo devo ir… Não sou do tipo que fica passivo diante de uma ameaça. Se este reino já não pertence à família de Alistair, devo estar preparado para um próximo inimigo —ele me disse, e eu soube que não havia negociação.
—Eu irei com o senhor, alteza —de repente ouvimos uma voz vindo pela porta.
Nós nos viramos e encontramos o pai de Kiara cambaleando para o corredor, fechando o quarto às suas costas.

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