KADEN
Eu sabia que a enfermeira conseguia sentir a minha aura e, embora a expressão dela mostrasse contradição, ela obedeceu.
Ash se impulsionou com as patas da frente e subiu para dentro.
— Senhor, acabei de sedá-la para que descanse, não acho... que seja hora de visita...
"Só vou ficar um momento. Como ela está?", perguntei, preocupado, e nós dois soltamos um suspiro de alívio ao saber que ela estava se recuperando.
"Ótimo, trate ela com o que houver de melhor na Academia e, enfermeira, está terminantemente proibido contar pra alguém que me viu aqui... inclusive pra paciente."
Acrescentei friamente, pressionando-a um pouco até conseguir que ela concordasse.
Ela foi embora, deixando a gente sozinho e até apagando a luz da sala.
Ash se aproximou passo a passo, afastando a cortina que fechava o compartimento e olhando pra ela em cima da cama.
"Dormindo ela fica muito linda e inocente. Nem parece aquela fierinha respondona", bufou com o focinho na altura do rosto da Savannah.
A respiração do meu lobo fazia o cabelo macio que caía na testa dela se mexer.
Senti a vontade do Ash de tocá-la e não o impedi.
Ele mostrou a língua e lambeu devagar a bochecha dela, o focinho se enfiou no vão do pescoço da Savannah.
Ele chamava a loba dela, mas ela também estava dormindo e escondida no próprio mundinho interior.
"Por que você vive se escondendo de mim, pequena?", perguntou frustrado, lambendo ela mais um pouco e se enfiando entre os braços da Savannah.
Ela murmurou alguma coisa incompreensível e as mãos dela foram acariciar o pelo do Ash.
— Que... ma-ci-nho... — a língua dela enrolava e ela balbuciava todo tipo de bobagem. — Vem... vem... cobertorzinho...
"Ela acha que eu sou um cobertor?", Ash perguntou divertido, e parecia mesmo, porque a Savannah começou a puxar ele pra ficar mais perto.
"O que você tá fazendo?", perguntei pro meu lobo quando ele começou a lutar pra subir na cama estreita.
"Tô fazendo meu papel de cobertor."
"Sério mesmo? Cuidado pra não esmagar ela", resmunguei, mas não interferi mais.
Ash conseguiu se acomodar ao lado dela, enrolado nos braços da loirinha, que começou a cheirar o pescoço dele.
— Delicioso... — ela estalou a língua como se estivesse se saboreando.
"Parece que tem cinco anos... é tão fofa e ao mesmo tempo tão apaixonada", Ash estava encantado de ser tratado como um bichinho de pelúcia.
Eu nunca tinha visto ele tão carinhoso com uma fêmea, não depois de perder a sua companheira destinada.
Eu sentia as batidas aceleradas do coração dele, como ele desejava as carícias dela e a boca dela beijando ele.
Eu também queria isso, mas quanto mais a gente cobiçava ela, mais o monstro dentro da gente se soltava.
Não queria soltar as rédeas dessa obsessão que eu estava sentindo pela Savannah nem testar se de verdade... ela era a nossa companheira de segunda chance.
Ash ficou um tempo deitado com as patas em cima do corpo curvilíneo dela, encurralando-a sob o peso dele, sentindo aquele cheiro de amoras doces e azedinhas.
Ele apoiou a cabeça por cima da Savannah, ocupando quase toda a caminha e ficando com metade do corpo pra fora.
Ele fechou os olhos, e eu sentia que a gente podia ficar ali pra sempre.
"Eu gosto dessa fêmea... quero saber mais sobre ela, sobre a lobinha dela... sobre nós..."
"Não", cortei os devaneios dele. "Já esqueceu o que aconteceu hoje?"
Minhas palavras fizeram ele hesitar, a imagem do sangue jorrando do pescoço dela bateu na gente como um vendaval.
Ash ergueu a cabeça e viu a faixa que ainda cobria o ferimento dela. Ela parecia tão frágil.
"Você tem razão... não quero machucar ela... não ela", a voz rouca dele foi sumindo.

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