NARRADORA
—Não faz sentido o que você está dizendo! É mais fácil acusar outra pessoa da sua negligência! —o rugido fez Isabella se sobressaltar e até os outros lobos na sala.
A pressão de um lycan não era brincadeira.
—Simplesmente admita que se enganou e talvez a punição seja mais branda! —ele rugiu, quase coagindo-a.
Parecia desesperado para esmagá-la, apesar de ser o diretor e, supostamente, um homem imparcial que nem a conhecia.
No assento principal dos estrados em forma de semicírculo, ele a encarava como se já tivesse decidido a sentença.
—Eu tenho certeza do que eu fiz, eu não brincaria com algo assim. Alguém armou uma armadilha pra mim, alguém com influências! —Isabella conseguiu soltar a voz, apesar de o corpo inteiro estar tremendo.
Ela se sentia tão pequena no meio de tantos olhos acusadores.
—O que a senhorita Olivan está insinuando exatamente, que algum dos professores ou administrativos apertou aquele botão só para prejudicá-la?
A voz daquela mulher que falava com Miska soou num tom cheio de deboche, ridicularizando-a.
Na hora, os murmúrios contra Savannah aumentaram, e ela lutava para controlar a raiva que a atravessava.
—Tenho certeza de que a Sra. Anna vai querer que se faça justiça pelo que aconteceu com a filha dela. Ouvi dizer que estão vendo como salvar o braço dela.
Aquela notícia fez Isabella empalidecer.
Ela estava acabada, soube disso no instante em que o diretor levantou a mão e calou as vozes.
—Isso vai gerar uma indenização bem alta, que será cobrada da sua matilha —começou a sentença, e Isabella já estava suando frio.
O pai dela ficaria sabendo disso de qualquer jeito, além disso, a multa seria escandalosamente milionária.
—Além da punição forçada na Academia, quando sua penitência terminar, você será expul…
As palavras já ecoavam na cabeça de Isabella: EXPULSA, EXPULSA…
Mas, antes de terminar de pronunciá-las, um estrondo sacudiu completamente o prédio central.
—Aaah! Estão nos atacando?! —as mulheres se esconderam, tensas, e os homens se levantaram rugindo, em posturas defensivas.
O diretor foi o primeiro a se pôr de pé, com a transformação em fera à flor da pele.
Mas o estrondo durou só um momento, parecia que uma parte do prédio tinha desabado.
—Esperem aqui! —ordenou, mas antes de sair, a porta da câmara de punições se abriu com força, e passos firmes se aproximaram.
Todos viraram a cabeça ao mesmo tempo, inclusive Isabella.
A primeira pessoa com quem os olhos assustados dela fizeram contato foi o professor Leonardo.
Mas atrás dele, três lycans caminhavam de cenho franzido, o uniforme todo desalinhado, cheio de poeira e sujeira.
Os olhos azuis, soltando pura frieza, foram direto na pequena Omega que parecia uma flor espancada pelo inverno, ali toda assustada sob a pressão do diretor.
Kaden estava furioso.
—Leonardo, o que significa isso?! —o diretor se tensionou diante da presença de outros machos dominantes.

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