KADEN
Acordei sentado contra aquela mesma árvore, ofegando e suando.
Ash rugia excitado, eu precisava ver ela de novo.
Depois de aparecer naquele quarto, eu consegui me conectar telepaticamente com aqueles homens que estavam rondando pela taverna, os que Darius levou.
Eu ordenei que vigiassem no corredor e que a escoltassem de volta quando ela saísse lá pra fora.
Eu não tive tempo de investigar onde Darius estaria, mas eu apostava minhas joias da coroa que William estava sendo punido agora mesmo.
Do mesmo jeito que aconteceria com a minha Ômega rebelde.
Eu me levantei e caminhei com passadas poderosas pra dentro da Academia.
Eu pensei em que desculpa inventar, mas, quando entrei no salão, descobri que a minha família já tinha se retirado.
O clima estava mais relaxado, Miska nem sei por onde andava, e nem me interessava. Eu vou embora dessa merda.
Eu fui direto pro estacionamento onde deixei a minha motocicleta, tirando o paletó e jogando pra trás, abrindo um pouco a camisa e colocando as luvas de couro.
Quando eu estava colocando o capacete, já sentado, eu ouvi um tec-tec de salto se aproximando.
Pelo retrovisor, eu vi Miska com cara de drama, mas eu apoiei o pé com força e acelerei, ligando a moto.
Eu saí disparado, sem esperar as reclamações dela, que não me importavam.
Eu peguei a estrada que atravessava o bosque escuro e passei pelo portão vigiado à noite.
Segui direto pro povoado, eu não sei por quê, mas eu tinha um mau pressentimento no peito.
Quando eu vi de longe o carro conhecido abandonado, os corpos no chão e o cheiro de sangue flutuando no ar, cada músculo do meu corpo se retesou.
Eu acelerei ao máximo, derrapando quando cheguei, e quase saltei da moto ainda em movimento.
—Savannah! —gritei o nome dela, olhando pros dois guerreiros assassinados no chão.
Eu procurei ela como um louco dentro do carro.
O cheiro dela ainda estava no banco de trás, os sapatos jogados de lado.
O rastro me levava pro bosque e eu segui correndo.
—Ash, encontra ela, porra! —eu rosnei, a ponto de me transformar.
Eles tinham espalhado um tipo de incenso forte, penetrante, que enfiava à força no nariz.
“À direita!” ele rugiu em pânico, igual a mim.
Minhas pernas explodiram numa corrida feroz.
Mil cenários passaram pela minha cabeça. Eu não devia ter deixado William tirar ela da Academia… se alguma coisa acontecesse com ela…
—Savannah! —gritei de novo o nome dela ao ver o corpo dela jogado na grama, me ajoelhando ao lado dela.
Enquanto minhas mãos a viravam com cuidado e eu a apertava contra o meu peito, eu senti todo tipo de sentimento dentro de mim.
Raiva de mim mesmo por não proteger ela de novo.
Impotência por ela sempre ter que se afastar do meu lado, e a fúria incontrolável de querer matar quem fez isso.
—Meu amor… Savannah, por favor, bebê, eu te imploro… —eu afastei o cabelo dela, grudado de sangue fresco que saía de um ferimento brutal na têmpora.
O rosto dela estava pálido, a roupa toda desarrumada.
“Sinto a presença de dois lobos fugindo, com certeza deixaram ela pra trás quando sentiram que a gente estava chegando!”
—Não dá pra perseguir eles agora, ela é mais importante!
Eu gritei com Ash, com as mãos tremendo, enquanto colocava um dedo sob o nariz dela, sentindo a respiração leve.
Ela tinha perdido muito sangue e eu me horrorizuei ao perceber que o vestido dela estava rasgado e levantado de um jeito indecente pelas coxas.
Eu me atrevi a puxar com cuidado um pouco mais pra cima, até a cintura, pra descobrir que a tanga estava bem no lugar e ainda manchada com o meu sêmen.
Eu me aproximei pra sentir o meu cheiro forte na peça e um suspiro de alívio escapou da minha garganta.
Se eu chegasse a descobrir que ela tinha sido abusada, eu nunca me perdoaria…
—Bebê, toma do meu sangue, meu amor —eu toquei a bochecha dela com suavidade, Ash vigiando o terreno.
—Eu preciso que você se conecte com a loba dela, faz ela acordar!
“Você acha que eu não tentei? Ela está bloqueada lá dentro! Mmm, Deusa… que horrível esse cheiro que ela está soltando… ela deve ter ficado apavorada.”
Aquelas palavras não me trouxeram nenhum conforto.
Sim, eu sentia, os feromônios da Savannah eram como um coquetel nojento pro meu nariz, mas ela estava assim porque tinha perdido o controle.
Tudo isso é por minha incompetência.
Uma garra afiada se estendeu da minha unha e eu ia abrir um corte no peito pra dar um pouco da minha vida, apertando ela contra mim, desesperado pra que ela reagisse.
No instante em que eu estava prestes a abrir a pele, eu ouvi um gemido baixo sair dos lábios dela.
—Mmmm…
—Bebê? Savannah… olha pra mim, calma, você já está segura… —eu afastei o cabelo sujo do rosto dela, vendo de perto como aqueles olhos se abriram devagar.

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