NARRADORA
Leonardo escondeu o sorriso de satisfação que lutava para aparecer nos lábios.
A assistente dele tinha contado há algum tempo que Miska tentava suborná-la para conseguir a fórmula do preparado que ele fazia para o príncipe e controlava a ira dele.
A mulher recusou com firmeza, era óbvio que não entregaria algo que podia custar o pescoço dela.
Como Miska tinha descoberto um assunto tão privado? Por mais que a assistente perguntasse, ela não quis dizer.
A mulher avisou o chefe na hora e um plano começou a se formar na mente de Leonardo.
Era exatamente o que ele precisava para testar os experimentos dele em Kaden sem levantar suspeitas sobre si.
—Agora ela veio me pedir ingredientes do laboratório —a mulher tirou um papelzinho do bolso.
Leonardo pegou e leu, escondendo o brilho excitado no fundo das pupilas.
Miska não tinha decepcionado.
Por acaso, ela tinha perguntado “inocentemente” que poção podia ser usada nos lycans para acalmá-los, caso o poder das Serafinas falhasse.
Leonardo deixou escapar apenas o nome do preparado e algumas coisas extras especiais que ele adicionaria para potencializá-lo.
A Alfa fez bem o dever de casa, buscar a fórmula do brebagem do príncipe e, além disso, algum conhecedor de Alquimia deu a ela uma lista para adulterá-la.
O efeito que teria?… O total oposto de apaziguar um lycan enlouquecido.
—Dê pra ela, não é nada nocivo, parece que ela está fazendo alguma pomada de beleza e o pai dela doa muito dinheiro pra Academia —ele devolveu o papel sem dar importância.
A assistente hesitou por um segundo, depois assentiu e caminhou até o depósito.
—E Dora, fique com a recompensa. Eu sei que você tem problemas em casa, não me mencione. Você sabe que isso é algo extraoficial.
—Ssi, sim, senhor, obrigada —os olhos da mulher ficaram vermelhos.
Ela realmente precisava do dinheiro de Miska, mas era uma loba honesta. Mesmo assim, com a permissão de Leonardo, o coração dela ficou mais leve.
Quando ela saiu da sala, um sorriso astuto finalmente se abriu na boca do homem bonito.
Ele mesmo estava ansioso para ver como Kaden reagiria a esse experimento.
Se alguma coisa desse errado, ele lavaria as mãos completamente do assunto.
Já estava na hora de o príncipe lycan voltar a mostrar a verdadeira cara e parar de reprimir o verdadeiro ser, um assassino impiedoso capaz de destroçar uma mulher inocente.
*****
Os dias passaram e Savannah não se recuperava por completo.
Os acontecimentos e as pessoas da Academia pareciam ser as lembranças que a mente dela apagou.
Kaden estava extremamente preocupado.
Ele mandou trazer um especialista da capital, porém o diagnóstico dele também foi esperar a evolução.
Ninguém sabia o que realmente estava acontecendo, era algo estranho.
Kaden apoiou as duas mãos nas lajotas frias do banheiro, enquanto o chuveiro de água morna caía sobre o cabelo platinado dele.
Ele se sentia inquieto e sufocado.
Ash batia contra uma barreira toda vez que tentava se conectar com a loba de Savannah e o cheiro…
Pela Deusa, ele não queria mostrar desagrado na frente dela, mas aquelas amoras podres faziam ele quase vomitar às vezes.
Ele ergueu a cabeça e esfregou o rosto, frustrado. Pelo menos ela não continuava rejeitando ele.
Ela aceitou rápido a explicação dele sobre o assunto de Miska e fez ele prometer que eles seriam um casal no fim.
Kaden fechou o registro e saiu do box pegando uma toalha, mas uma pontada repentina na cabeça fez ele rosnar.
A pele começou a arder de repente e os caninos pulsavam nas gengivas.
“Precisamos do poder de uma Serafina ou beber essa poção nojenta, tanta tensão está te descontrolando”, Ash disse, e, por mais que Kaden odiasse admitir, ele sabia que era verdade.
Ele saiu do banheiro e revirou a gaveta do criado-mudo até achar o frasquinho com o preparado de alquimia.

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