NARRADORA
—É uma emergência, porra —Savannah interrompeu a mesma assistente que sempre estava em todo lugar onde Isabella ia.
—Toma, você tem que sair agora mesmo. O príncipe quer ir visitar a matilha, você precisa avisar o papai —a mulher franziu a testa, entendendo a urgência.
Ela pegou o bilhete e escondeu no vestido.
—Mas eu não vou chegar tão rápido, mesmo saindo hoje à noite, fica muito longe…
—Você não precisa ir até lá. Eu vou te dar a localização da cabana onde o Beta do papai está, e ele vai levar o bilhete mais rápido do que você —Savannah colocou o plano de emergência em prática.
As duas tramaram escondidas nas sombras das grandes máquinas de lavar, sem notar que, pela claraboia no teto, uma sombra as observava.
Então os olhos afiados de Kaden viram Savannah voltar para o dormitório, e a outra mulher seguiu rumo ao portão principal da Academia.
Ele desceu do telhado e, na escuridão, Darius e William já o esperavam.
“Darius, você vem comigo. William, você fica aqui vigiando essa harpia” os olhos de Kaden já faiscavam perigosamente.
“Vou ser uma maldita espinha enfiada no cu dela, vou vigiar tudo aqui” William garantiu.
Eles envolveriam até Harper e Kiara para que se aproximassem dela de novo e a vigiassem no dormitório.
“Certo” Kaden disse essas últimas palavras, já se esgueirando entre os prédios e as sombras.
Eles eram predadores e, por isso, silenciosos na noite.
Seguiram de perto a mensageira.
A mulher pediu permissão no portão, inventando uma desculpa de doença de um parente, e deixaram ela sair da Academia.
Ninguém se importava em segurar uma auxiliar insignificante.
A mulher mudou para a forma animal e uma loba pequena, com as roupas na boca, começou a correr rápido, contornando os limites de algumas matilhas até chegar a um lugar afastado, perto da capital.
Nem todos os instintos dela conseguiam avisá-la sobre os dois caçadores que a perseguiam, e eles eram muito mais evoluídos do que ela.
Então, por fim, ela parou entre algumas árvores.
Kaden também parou, se abaixando atrás de uns arbustos.
Na forma humana ele era mais rápido que Darius, que tinha ficado alguns quilômetros atrás.
Darius não queria mudar para a forma de lycan para não alertar a presa, então, como humano, ele foi um pouco mais lento do que a loba veloz e do que Kaden.
Os olhos lupinos do príncipe se estreitaram em fendas perigosas ao ver ela se vestir e tirar o bilhete.
Ela andava numa direção e ele já conseguia sentir a marca nojenta de um macho naquela área.
Ele não ia perder mais tempo.
Ele parou de se esconder e caminhou atrás dela como uma sombra, com o rosto retorcido em intenções assassinas.
Quando a mulher percebeu e, antes de gritar, a boca dela foi tampada com força por trás e uma garra afiada cravou no pescoço dela.
—Se você gritar nem meia palavra, eu corto a sua garganta aqui mesmo —a ameaça de Kaden era mortal.
O corpo inteiro da fêmea tremeu da cabeça aos pés, quase se mijando.
Ela sabia que devia ter saído desse trabalho perigoso fazia tempo, nem tinham dado tanto dinheiro pra esse risco.
—Fala na minha mente, me diz… Pra quem você trabalha e pra quem você está levando isso?
“Se… se seu majes… aaagr” ela gemeu na cabeça dele por causa da dor da garra atravessando a pele a milímetros da veia que saltava como se ela tivesse o próprio coração preso na garganta.
Ela sabia que a chance de sobreviver ao príncipe lycan era quase nula, mas também não se atrevia a mentir.

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