ISABELLA
Pela primeira vez eu provei o que era controlar o meu verdadeiro poder, estar em sintonia com o meu lado mais selvagem sem precisar de nenhuma ajuda extra.
Entrei naquela casa como um demônio.
Quando vi aquele cara, eu soube, sem dúvida nenhuma, que era o Beta filho da puta.
O cheiro de Isabella estava nele.
Meu ódio pedia sangue, então eu me joguei em cima dele sem pensar duas vezes.
Ash esmagou sem piedade o lobo Beta que surgiu da transformação pela metade.
Nem demos tempo, antes de agarrá-lo por uma pata e arremessar ele contra os móveis.
Eu ouvia o estalo dos ossos quebrando um por um, a última resistência de coragem dele antes de se partir por completo.
Eu me lancei no frenesi da luta e a gente se embolou destruindo tudo, minhas garras foram direto no focinho dele, cravando nos olhos, que eu arranquei sem piedade.
Ele não aguentou a transformação completa em lobo por causa da fraqueza, mas eu não parei, eu queria morte, despedaçar ele pedaço por pedaço.
Os olhos que cobiçaram ela, as mãos que tocaram nela, as pernas que bateram nela.
Eu arranquei até os genitais dele e fiz ele engolir naquela boca nojenta, sem dentes por causa dos meus socos.
Os gritos frenéticos de súplica enchiam meus ouvidos de um jeito sádico que me dava muita satisfação.
Eu não perdi o controle por milagre, eu resisti porque o cheiro de amoras ainda estava no ar, eu não podia machucar ela se eu me perdesse na violência.
Então eu vi…
Pelos olhos do meu lobo, pelo buraco que o meu punho abriu no chão de madeira.
Lá embaixo tinha um porão, e uma sombra encurralada num canto me olhava assustada.
Eu via as lágrimas dela brilharem na escuridão, cada roxo, cada golpe, os olhos inchados, a palidez do rosto… aquilo partiu a minha alma.
Eu queria continuar destruindo aquele homem que abusou dela.
Ele ainda respirava, mesmo sendo um pedaço de carne, mas já não era a minha prioridade, eu precisava chegar até Isabella.
Passos pesados me levaram até a cozinha, onde eu encontrei uma porta com cadeado e arrebentei ela.
Quase caí rolando pelas escadas estreitas.
O cheiro de mofo, suor e sangue bateu no meu nariz.
Ele tinha ela aqui como um bichinho indefeso, a minha mulher, a minha companheira. Como tiveram coragem?!
Toda aquela matilha pagaria com a vida por essa ofensa!
“Neném, sou eu, calma, Isa… eu sei de tudo, eu consigo me controlar, não tenha medo…” eu tentei falar com a loba dela, buscar a conexão da nossa raça, mas só havia vazio na mente dela.
De quatro, eu me aproximei devagar, Ash estava desesperado, a um passo de uivar, buscando o vínculo com a lobinha… com a verdadeira mate dele.
Mas o corpo de Isabella tinha cedido e tombou pra frente, desabando.
Eu corri e segurei ela com cuidado, eu tinha medo de ferir ela com as garras ensanguentadas, meu pelo manchado de morte, mas ela se agarrou ao peito enorme do meu licano.
Sem medo de morrer entre as minhas presas.
Eu abaixei o focinho e cheirei ela fundo, com o terror de perder ela correndo nas minhas veias.
Minhas orelhas se mexeram, captando a respiração lenta e o coração batendo cada vez mais fraco, o corpinho rígido esfriando aos poucos.
“Não, não, Isa… reage, porra!”
“Dá o nosso sangue pra ela, dá AGORA!” Ash entrou em pânico, assim como eu.
Eu caí sentado com força no chão, embalando ela com cuidado enquanto eu abria as veias do meu pulso.

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