Depois de sair da cafeteria, Anneliese entrou no carro e, instintivamente, levou a mão ao peito. Ainda doía um pouco.
Nesse momento, o celular vibrou. Pensando que fosse Jessica, ela se apressou em olhar, mas a mensagem era de Joel, que ela tinha acabado de adicionar.
“Sra. Shaw, você conhece o Sr. Fullbuster?”
“Por que?”
“Nada importante. Só queria ver se você me adicionou.”
Anneliese ficou encarando a tela, sem acreditar. Sério? Qual é o problema desse cara?
Coincidentemente, uma mensagem de Jessica apareceu. “Os bloqueadores de sinal estão prontos.”
E junto, ela enviou uma imagem de um rato sorrateiro.
Os olhos de Anneliese brilharam, e ela respondeu com uma de um gato recebendo um carinho na cabeça.
Ao sair da conversa, seu olhar voltou para a mensagem de Joel.
Sr. Fullbuster? Então esse é mesmo o sobrenome dele.
Ela se lembrou do que Joel tinha dito antes... Que o Prêmio dos Dez Jovens Empreendedores do Ano, que Zacharias recebeu no ano passado, havia sido entregue por esse mesmo homem.
Naquela época, ela prestava atenção em tudo que dizia respeito a Zacharias. Lembrava-se bem da cerimônia, ela estava na plateia, vendo-o subir ao palco.
Pena que, naquela noite, seus olhos só tinham sido para ele, e ela nem notou quem fez a entrega do prêmio.
Mesmo assim, depois, ela pesquisou o nome do apresentador.
Jonathan Fullbuster.
No mundo dos negócios, aquele nome era praticamente sinônimo de poder e dinheiro. Diferente de Zacharias, que havia subido do nada, Jonathan vinha da prestigiada família Fullbuster de Halden, uma linhagem nobre antiga.
A fortuna da família vinha de gerações, remontando ao século XVIII ou até antes. Mais recentemente, os Fullbuster começaram com a aviação e depois expandiram para o setor imobiliário, financeiro, tecnológico, bancário, entretenimento, tudo! A riqueza deles era absurda.
Jonathan era conhecido como o Príncipe de Halden. Um ano mais novo que Zacharias, mas já uma força dominante no mundo dos negócios. Apesar da pouca idade, seu patrimônio chegava a bilhões, e ele havia conquistado cada um de seus feitos por mérito próprio.
Dizia-se que, embora o império da família já não dependesse mais da aviação, o Ancião Fullbuster continuava um tradicionalista ferrenho. Acreditava que a aviação era o alicerce do legado familiar e insistia que qualquer herdeiro só poderia assumir o grupo depois de provar sua competência na companhia aérea da família, a FullAir, primeiro tornando-se capitão. Só depois de conquistar os céus é que seria digno de comandar o Grupo Fullbuster.
Jonathan, um prodígio, ainda detinha o recorde de capitão mais jovem da FullAir. Agora CEO da empresa, dizia-se que estava a um passo de assumir o controle total do grupo.
Anneliese ainda se lembrava das palavras de Zacharias na noite anterior ao evento.
“Anne, quando a cerimônia começar, você só tem permissão pra olhar pra mim, pra mais ninguém!”
“Claro que vou olhar só pra você! Meu marido é tão bonito que eu nem notaria outro homem, mesmo que tentasse. O que foi, senhor Shaw, ficou inseguro de repente?”
“Jonathan Fullbuster pode ter nascido em berço de ouro, mas é só isso. Me dá mais dez anos, e eu chego no mesmo nível ou até passo dele. Então, meu bem, nem pense em olhar pra outro homem.”
“Tudo bem, tudo bem. Não vou olhar. Nem de relance!”
As lembranças vieram como uma enxurrada, e Anneliese arqueou os lábios, incrédula.
Como eu consegui ignorar alguém como Jonathan só pra ficar babando pelo Zacharias a noite inteira? Nossa… Eu era mesmo cega naquela época.
….
Zacharias chegou cedo em casa, o que era raro. Mas, estranhamente, a mulher que costumava grudá-lo feito sombra sempre que ele aparecia não deu as caras.
Ele a encontrou na sala, sentada junto à janela, digitando furiosamente no notebook. Estava tão concentrada que nem notou quando ele entrou.
Zacharias se inclinou para espiar a tela. “Amor, o que está fazendo?”
Nos últimos dois dias, Anneliese vinha estudando freneticamente todos os conteúdos profissionais e novidades do setor que perdeu nos últimos quatro anos. Todas as noites, organizava suas anotações e dúvidas em slides e os enviava ao seu mentor.
Já tinha mandado três e-mails, mesmo sem resposta. Ainda assim, continuava firme. Queria provar sua determinação. Dessa vez, não desistiria no meio do caminho.
“Só dando uma olhada em umas coisas aleatórias. Fiquei entediada.” Ela virou a tela instintivamente para o outro lado.
Zacharias a observou por dois segundos e, com calma, apertou o botão de desligar o notebook.
“O que está fazendo? Não salvei o arquivo!”
Furiosa, Anneliese o encarou, mas Zacharias já tinha afastado o notebook e a puxado para o colo.
“Amor, seu trabalho agora é cuidar da saúde e preparar o corpo pra gravidez. Você tá tomando os remédios? O que o médico disse?”
A voz dele soava preocupada, mas Anneliese mal conseguia conter o ressentimento queimando em seu peito. O sorriso que deu veio carregado de ironia.

Ah, quem sabe se você já não pegou alguma doença por aí? Não me surpreenderia se ser canalha fosse hereditário. E ainda acha que merece ser pai?
Ele ficou encarando a porta e levou a mão à cabeça. O que tá acontecendo? Por que parece que ela anda cheia de alfinetes nas palavras? Será que ainda tá brava por eu tê-la deixado na estrada aquele dia? Que gênio difícil!
Os homens são tão egoístas. As mulheres arriscam a vida pra gerar os filhos deles, mas pedir que façam um exame simples já é demais.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Construí seu império e vi tudo queimar quando ele me traiu