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Construí seu império e vi tudo queimar quando ele me traiu romance Capítulo 13

Logo depois, Coral enviou uma foto para Anneliese junto com uma mensagem. “Está feito. Como quer que eu te entregue?”

Anneliese recebeu a mensagem assim que chegou ao pet shop para buscar o Bisteca. Abriu o anexo e ficou olhando fixamente para o acordo de divórcio assinado, com a assinatura de Zacharias ampliada na tela.

Aquele homem, normalmente tão cauteloso, havia assinado tão rápido... Sinal de que ainda confiava e se deixava levar por Coral.

Como é que se chama isso mesmo? Pensar com a cabeça errada.

Ela não pôde deixar de imaginar a reação de Zacharias quando descobrisse que tinha sido enganado. Estava, inclusive, começando a ansiar por esse momento.

“Bisteca, vai lá, sua dona chegou!”

Ouvindo a voz da funcionária da loja, Anneliese ergueu o olhar a tempo de ver o enorme cachorro saltar sobre ela, cheio de alegria.

Bisteca, um golden retriever, era dócil e incrivelmente bem-comportado. Ela o encontrou abandonado no mesmo ano em que seus pais adotivos faleceram e o criou desde filhote.

Melody Zwick, sua sogra, era alérgica a pelos e havia proibido Anneliese de ter animais, mas ela nunca teve coragem de se desfazer do Bisteca.

Ainda assim, quando o assunto da gravidez surgiu, Melody usou o cachorro como pretexto: dizia que mulheres grávidas não deviam ter cães, que isso poderia afetar a mãe e o bebê. E, dessa vez, Zacharias não a defendeu.

No fim, Anneliese acabou cedendo e deixou Bisteca num hotel para pets, visitando-o de vez em quando.

Agora, ao tê-lo de volta nos braços, sentiu o nariz arder. Enterrou o rosto no pelo macio do cachorro, respirando fundo enquanto o acariciava.

“Bisteca, me desculpa. Prometo que nunca mais vou te abandonar. Você me perdoa?”

Era como se ele entendesse. Ofegante, abanou o rabo e empurrou a palma dela com o focinho várias vezes... Como se estivesse tentando confortá-la.

Anneliese sorriu. “Obrigada, grandão. Vamos pra casa.”

Levou Bisteca até o carro e respondeu à mensagem de Coral: “Estacionamento da Clauderias Tech. Me encontra lá embaixo. Tô chegando.”

Ligou o carro e foi direto para a empresa.

Como o veículo dela era registrado no sistema da companhia, preferiu estacionar na praça pública próxima, só por precaução, e caminhou até lá.

A troca aconteceu sem problemas. Anneliese acabava de guardar o acordo de divórcio na bolsa quando ouviu uma voz surpresa atrás de si.

“Senhora? O que faz aqui?”

Era Jackie.

Anneliese congelou. Lançou um olhar rápido para Coral, que imediatamente virou as costas e saiu. Então, ela se virou para bloquear a visão de Jackie, aproximando-se dele.

“Vim ver o Zacharias. Ele tá no escritório, né?”

Apertando a bolsa contra o peito, sentiu uma pontada de arrependimento. Não devia ter se apressado tanto para pegar o documento... Escolher aquele lugar para o encontro tinha sido um erro.

Jackie olhou na direção em que Coral havia ido. “Tá sim. Com quem a senhora tava falando agora há pouco?”

A expressão de Anneliese não vacilou. “Ninguém, só uma pessoa pedindo informação. Por quê?”

Jackie pensou por um instante. A silhueta parecia mesmo a de Coral, mas as duas estavam em um canto escuro, e ele não tinha visto direito.

Além do mais, não fazia sentido algum Coral ter qualquer ligação com a Sra. Shaw. Devia estar enganado.

“Vou levá-la até lá”, disse, dispensando a dúvida e seguindo para o elevador.

Dentro, ele baixou a cabeça e mandou uma mensagem no WhatsApp. Quando levantou o olhar, deu de cara com o sorriso leve de Anneliese.

“O que foi?”, ela perguntou. “Mandando aviso pro chefe?”

Jackie ficou tenso, o suor frio escorrendo pelas costas. Será que ela… Sabe de algo?

“Imagina, senhora. Todo mundo sabe que o Sr. Shaw adora a senhora... Se pudesse, deixava você pendurada no pescoço dele até no trabalho. Não preciso avisá-lo de nada.”

Anneliese soltou uma risadinha. “Ah é? Então quer dizer que sou só um enfeite?”

Jackie imediatamente se deu dois tapas na boca.

“Foi mal, foi mal! Todo mundo aqui sabe o quanto a senhora é competente, Sra. Claude. Quando ainda trabalhava, o pessoal te idolatrava. Cada comunicado, cada evento, cada entrevista que a senhora preparava pro Sr. Shaw era impecável. Todas as vezes.”

A expressão dele era de pura admiração. Anneliese não respondeu.

Igualzinho ao chefe... Ator nato.

Antes que ela entrasse no escritório de Zacharias, a faxineira saiu empurrando o carrinho.

Zacharias mal acreditava no que ouvia. O rosto ficou completamente vermelho de raiva, mas antes que dissesse qualquer coisa, Anneliese virou e saiu batendo a porta com força.

Ele levou a mão à testa, o corpo inteiro tenso de raiva. Não iria atrás dela.

Por um breve instante, lembrou-se da ligação de Christopher e, pela primeira vez, achou que o homem podia estar certo.

Talvez fosse hora de dar uma lição nela.

Pegou o celular e ligou para o consultor financeiro particular. “Congele a conta conjunta”, ordenou, friamente. “Suspenda temporariamente o acesso da minha esposa.”

Anneliese saiu da Clauderias Tech bufando, prestes a explodir.

Ao se lembrar de que Bisteca a esperava no carro, acelerou o passo.

Chegando ao estacionamento, destravou o veículo. A primeira coisa que fez foi estender a mão para abrir a porta de trás, ansiosa pra ver o cachorro. Mas antes que pudesse tocá-lo, uma voz preguiçosa e familiar soou atrás dela.

“Maltratando cachorro em plena luz do dia? Não sabia que esse era o seu tipo de passatempo, Sra. Shaw.”

Assustada, Anneliese se virou e viu uma figura alta surgir por trás do carro.

Era Jonathan.

Usava um terno preto risca de giz, simples, clássico, mas, diferente das camisas brancas de antes, dessa vez vestia uma camisa de cetim preta por baixo. A combinação intensificava sua presença imponente, lançando uma sombra enquanto ele se aproximava. O ar ao redor parecia mais frio, mais pesado.

Os olhos de Anneliese instintivamente se voltaram para a camisa escura, um estranho incômodo apertando-lhe o estômago.

Provavelmente vestiu preto pra evitar outro acidente. Nem dá pra culpa-lo... Parece até que tá indo pra um velório.

“Au! Au! Au!” Bisteca, ao vê-la, começou a bater as patas na janela e a ofegar, empolgado.

Anneliese abriu a porta do carro, e ele disparou como uma bala, transbordando alegria.

“Au! Au! Au!”

Mas, em vez de pular nela como sempre fazia, Bisteca correu direto na direção de Jonathan, rosnando como um pequeno monstro.

Ah, ótimo! Será que minha mente é amaldiçoada? Penso na pior coisa possível e ela acontece! Se o Bisteca arranhar ele, esquece a camisa... Vai ter que jogar o terno inteiro fora!

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