Nathaniel Donovan
"Oficiais, por favor..." falei, me virando para os dois policiais que ainda estavam prostrados como estátuas na porta da sala. "Esperem lá fora."
"Senhor, não podemos..."
“Ainda estou pedindo um favor. Quero evitar que isso vire um problema maior entre mim e a minha mulher. Se nos derem um minuto, resolveremos aqui. Além do mais, ninguém vai fugir. Só foge quem é culpado.”
Eles se entreolharam, visivelmente desconfortáveis, mas acabaram cedendo. Um deles pigarreou.
"Cinco minutos."
"Perfeito." Fechei a porta assim que saíram, e o silêncio entre nós gritou mais alto que qualquer acusação.
Me virei devagar.
Lúcia estava parada no meio da sala. Os olhos vermelhos, a postura rígida. Um vulcão prestes a entrar em erupção.
"Lúcia... eu..."
"Não começa." A voz dela foi um corte. Rápido. Afiado. "E não me chama de minha mulher. Não sou nada sua."
Engoli seco.
"Eu só quero que você entenda..."
"Entender o quê, Nate?" Ela avançou um passo. "Que tudo o que você disse e fez desde o primeiro dia foi uma encenação cuidadosamente planejada? Que você estava disfarçado, rondando minha vida, fingindo ser alguém que não era... enquanto ria por dentro de como eu era burra o bastante pra acreditar em você?"
"Não! Nunca ri de você, Lúcia. Nunca!"
"Mas mentiu. Todo dia." O tom dela aumentou. "Você mentiu olhando nos meus olhos. Mentiu quando dizia que queria me ajudar, quando fingia surpresa com coisas que você sabia de cor, quando fingia ser um assistente que só queria um extra por acompanhar uma garota num jantar."
"Lúcia, me escuta."
"Você me usou, Nate. Me usou pra investigar seu empreendimento! Me usou pra descobrir segredos, estratégias, informações. Me usou pra se divertir!"
"Não é verdade!" gritei, a voz falhando. "Você sabe que não é! Eu me apaixonei por você!"
"Ah, que conveniente!" Ela riu, sem humor. "Se apaixonou justo agora? Deve ser tão bom se apaixonar tendo todas as cartas na mão, né? Mas olha só, agora eu tenho um problema bem maior batendo a minha porta."
Me aproximei, desesperado, o coração batendo como se fosse me sufocar.
"Lúcia, eu errei. Eu devia ter contado antes, eu devia ter sido honesto com você..."
"Mas não foi." Ela interrompeu. "E agora me vê aqui, sendo acusada de um crime que eu não cometi, porque você me arrastou pra um jogo que eu nem sabia que estava jogando! Ou você acha mesmo que se eu tivesse sido demitida naquele dia, eu estaria passando por isso?"
O nó na minha garganta parecia uma corda.
"Você me envolveu na sua mentira, Nate. E agora ela está cobrando um preço alto. Eu não tenho dinheiro para pagar um bom advogado para livrar minha cara, como você pode fazer. Não sei nem como meu nome pode ter sido envolvido nisso. Só sei que você acabou com qualquer interesse que eu tinha em você."
"Eu vou consertar tudo, chaveirinho. Tudo, eu juro. Eu nunca vou deixar você desamparada. O que está acontecendo é culpa minha e eu vou resolver, não precisa ter medo." tentei me aproximar, mas ela me repeliu.
"Não me chame assim nunca mais." os olhos dela estavam tão duros que senti algo dentro de mim se partir.
E então, a porta escancarou.
"São eles." Eduardo entrou na sala com a arrogância de quem acha que manda, seguido por Célia, com aquele olhar venenoso e um sorrisinho satisfeito.

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