Nate Donovan
Eu não gostei de ver outro homem perto dela.
E gostei menos ainda de descobrir que Lúcia estava num hospital.
Assim que o médico saiu, puxei a cadeira que ele ocupava e me sentei bem na frente dela, sem desviar os olhos. Ela estava tão quebrada… tão machucada… e, pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia exatamente como consertar aquilo.
"Conversa comigo, Lúcia." Minha voz saiu baixa, quase uma ordem.
Ela suspirou, desviando o olhar como se não quisesse desmontar na minha frente.
"Não aconteceu nada…"
"Não me enrola." Inclinei o corpo para frente, os cotovelos nos joelhos. "Alguém entrou na casa? Machucaram sua mãe? Fizeram alguma coisa com você? Se preciso, dobro a quantidade de seguranças agora. Mas me conta como posso te ajudar..."
"Não." Ela segurou a minha mão, e o toque dela me desarmou. "A minha mãe… está doente. O médico disse que agora tem alguns problemas cardíacos, mas que vai melhorar. Eu só… fiquei muito abalada de vê-la caída no chão. Quando a encontrei parecia..." os olhos dela se enxeram de lágrimas de novo e meu coração se apertou.
"Sinto muito, Lúcia." Passei o polegar sobre os dedos dela. "Eu vou encontrar os melhores especialistas para o caso dela. Não precisa se preocupar. Logo ela ficará bem."
Ela riu baixinho, um som frágil. "Para de agir como herói."
"Não posso." Sorri de lado, me afastando só o suficiente para limpar as lágrimas que marcavam seu rosto. "Não consigo te ver assim e achar que está tudo bem."
"Obrigada por ter vindo."
"Sempre." Segurei o olhar dela. "Você sempre vai poder contar comigo."
Ela se inclinou para me abraçar de novo e eu a envolvi sem hesitar. Por alguns segundos, o mundo inteiro se resumiu a manter aquele corpo pequeno seguro nos meus braços.
"Nate, você acha que o médico deixa eu ver a minha mãe agora?"
"Não sei, mas podemos perguntar. "
"Eu quero muito vê-la e ter certeza que tudo não passou de um susto."
"Vamos." Ajudei-a a se levantar, mas senti quando o peso dela se apoiou em mim.
"Tem certeza de que está bem?"

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