Alba
Mais um dia que me levanto extremamente indisposta. Meu braço já está recuperado, mas mesmo assim é como se eu tivesse sido atropelada. Todos os alimentos estão me fazendo mal, minha barriga revira e eu coloco tudo pra fora. Continuo tomando meu anticoncepcional e já marquei médico para uma avaliação, talvez eu tenha algum problema no aparelho digestivo ou talvez seja somente nervosismo. Os três andam alternando o tempo inteiro, não entendo como a cabeça do Dmitri não explode com tanta informação. Hoje é meu dia de folga e eles me prometeram uma viagem para a Colômbia, é aniversário do meu irmão. O meu já passou e Dmitri, Lobo e Fantasma esqueceram mas tudo bem, nunca foi uma data que eu tive prazer em comemorar.
Sentamos nos bancos do jatinho. Antes de decolar comecei revisar algumas mensagens.
_ Nossa, que calça apertada..
Resmunguei enquanto abria o botão da calça jeans. Dmitri apertou o cinto me deixando ainda mais desconfortável.
_ Nossa, você apertou demais ! Tá me sufocando..
_ Mas você sempre senta aí!
Retrucou ele. Afrouxei o cinto e me joguei pra trás. Ando muito inchada e isso é preocupante. Será que tenho alguma doença ?
_ Alba, pra quando seu médico está agendado?
_ Semana que vem. Por que ?
_ Ahm, nada!
O jato decolou e o tempo inteiro ele me olhava estranho, me encarava tão fixamente que chega a ser desconfortável.
Já no ar, a comissária de bordo nos trouxe um lanche leve, mas a cara do sanduíche não me agradou nem um pouco.
_ Não vai comer ?
_ Não, acho que tenho uma barra de cereal na minha bolsa.
Falei enquanto me levantava. Fui até o banheiro fazer *xixi e quando voltei Dmitri não estava no assento.
_ Ué, tá cansado?
Dmitri estava deitado na cama de casal ao fundo do jato. Lembrei da primeira vez que o confrontei, lembro que ele mudou a personalidade e desde então Dmitri começou a assumir o corpo com mais frequencia, porém me odiava.
_ Não, apenas pensativo.
_ hum..
Deitei ao lado dele e bocejei cansada.
_ Que sono..
Resmunguei ao fechar os olhos.
(...)
_ Alba?
_ hm..
A voz dele invadiu meus sonhos e então acordei. Nitidamente era o Fantasma, até no jeitinho de acariciar meu rosto.
_ Já estamos chegando ?
_ Não, apenas separei algumas coisas pra você comer.
Disse ele enquanto apontava para a bandeja cheia de frutas e iogurte. Sentei e tentei comer o máximo possível.
_ Sabe o que eu queria agora ?
Ele negou com a cabeça.
_ Pão de queijo.
_ Posso tentar encontrar pra você.
Disse ele sorrindo.
_ Eu adoraria!
Terminei de comer e ele continuou me olhando.
_ O que foi ?
_ E então?
Perguntou ele nervoso. Peguei os testes e coloquei em cima da cama e coloquei a embalagem logo ao lado. Li a descrição e depois olhei novamente para os testes.
_ *Droga..
O Fantasma estava pálido, realmente parecia um fantasma.
_ Mas… eu .. eu me cuidava..
_ Nem todo método é cem por cento.
Disse ele seco.
_ Eu.. eu não posso.. não agora.
Me levantei e comecei a andar de um lado para o outro.
_ Alba, nem pense em tentar tirar essa criança !
Disse ele enquanto segurava com força meu braço.
_ Eu.. eu ainda sou muito jovem para ser mãe..
_ Mas aconteceu e vamos arcar com isso!
Não sei o que ele esperava, mas certamente não era essa desaprovação da minha parte. Comecei a chorar e ele me abraçou.
Bateram na porta, indicando que o avião iria pousar em breve.
_ O que eu vou falar pra minha mãe?
_ Não precisamos da aprovação de ninguém Alba, somos apenas nós dois.
Disse ele seco. Pra ele é simples, ele nunca teve família, mas pra mim não. E se meus pais ficarem decepcionados comigo? O que eu faço?

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