Alba
Eu estava ansiosa, me coçando pra perguntar logo ao meu pai o que estava acontecendo, mas nos últimos dias ele e a mamãe andam mais felizes, parecem que estão vivendo um relacionamento novamente, dois adolescentes apaixonados.
Eu sei que se eu perguntar a ele e for verdade, essa felicidade vai pelo ralo, e duvido que ele tenha comentado algo para a mamãe, ele evita ao máximo estressá-la.
Todas as noites quando vou dormir sinto uma enorme ansiedade, uma tristeza. E nem depois de dar uma surra no saco de box me sinto melhor.
_ Caramba, você é muito forte filha.
Disse meu pai ao ver os golpes desferidos contra o saco.
_ É.. acho que sim.
Meu condicionamento físico está melhor. Me sinto mais forte não só mentalmente mas também fisicamente. Apesar de toda a ansiedade e curiosidade, estou bem mais controlada e os pesadelos diminuíram. Colocar toda a raiva pra fora está me ajudando, e independente se eu tiver um noivo ou não, e se for aquele homem maluco que me entregou os livros, juro pra mim mesma que não vou mais ser uma vítima, não vou chorar, não vou deixar que me machuquem novamente.
_ Que tal se fossemos ao shopping amanhã?
Olhei pro meu pai incrédula. Nem antes do sequestro ele deixava, e agora simplesmente me convida ? As coisas estão cada dia mais estranhas.
_ Não sei papai.. não sei se estou pronta.
Respondi com sinceridade. Realmente não sei se estou pronta pra cruzar o portão. Imagina andar no meio de uma multidão, pessoas que não conheço, e se..
_ Não pense que ainda podem querer sequestrar você, não devemos nada para ninguém e nossa *proteção está cada dia mais forte.
Meu pai pareceu ler a minha mente. Eu ainda estou superando tudo que aconteceu e espero sinceramente que se em algum momento tentarem me sequestrar novamente eu no mínimo tente me defender e não fique paralisada.
De acordo com os médicos entrei em um estado de catatonia e por isso acabei paralisada e sem movimentos por um tempo.
Disse ele rindo. Comecei a rir também. Papai colocou uma camiseta suja de tinta só pra disfarçar e saiu do galpão. Deitei no tatame lembrando do carteiro estranho, lembrando dessas palavras suspeitas do meu pai.. A cada informação que aparece tenho mais certeza de que logo serei uma senhora casada, e não mais a Alba Ramirez..
Fechei meus olhos e respirei fundo. Olhei pro armário de *armas, peguei minha chave e abri. Haviam vários tipos de armas, um maior que o outro. Óbvio que eu não testaria nenhuma delas até porque se minha mãe escutar qualquer barulho ela surta comigo e com meu pai que provavelmente vai levar toda a culpa.
Uma *arma me chamou a atenção, um arco e flecha. Achei engraçado, é tão arcaico.
Peguei o arco e uma única flecha. Posicionei como eu imaginei que fosse o certo e tentei atirar. Nunca na minha vida eu imaginei que pudesse ser uma coisa tão difícil.
_ Acho que vou pesquisar na internet..
Peguei meu celular e me espantei com o horário, já era quase três horas da manhã..
Guardei novamente o arco, tranquei o armário e tranquei o galpão. Enquanto caminhava pelo jardim olhei para a rua. Não havia nada, somente o som dos vagalumes que gritavam nos arbustos. Andei a passos lentos para o quarto, se todas as minhas suspeitas forem verdadeiras, preciso me preparar e principalmente preparar minha mente.

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