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Contrato de Casamento com o Mafioso Cruel romance Capítulo 50

Alba

O Lobo estava agitado, irritado e não parou um minuto durante o voo. Notei ele falar sozinho diversas vezes. Desde que ele e Dmitri começaram a intercalar o corpo eles vem fazendo isso com frequência, será que conseguem se comunicar ? Que loucura.. preciso estudar um pouco sobre essa doença. Mesmo que cada pessoa tenha um pouco de peculiaridade preciso aprender a lidar com esse homem dois em um.

Dormi boa parte do voo, principalmente porque ele não queria muito papo comigo. Sonhei com a minha família. Eu nunca tinha ficado tanto tempo longe, na verdade eram raras as vezes que podia sair e agora, depois de muitas semanas, meses, finalmente estou em casa.

O avião pousou,olhei para Dmitri que havia tomado o controle, até a postura estava totalmente diferente, mais relaxado. Ele me olhou e sorriu.

_ O que ele tinha ?

Perguntei ao agarrar a mão dele já que estava sentado ao meu lado do avião e com o barulho os outros soldados que estavam longe não ouviram nossa conversa.

_ Ele está irritado porque você disse que se ele não mudasse ele não poderia mais tocar você.

_ Ah.. poxa.

Não sabia que era por causa disso, pensei que o Lobo tinha entendido a situação e aceitado de boa minha imposição, mas o que posso fazer ?

Mordi meu lábio um pouco preocupada, será que ele acha que eu prefiro Dmitri do que ele ? Sinceramente não tenho preferência, mas Lobo erra quando se trata de carinho, de atenção e cuidado. Sei que ele fez aquela enorme estante pra mim e encheu de livros, essa é a maneira dele ser carinhoso, mas agora é diferente, estamos nos envolvendo de maneira romântica e eu preciso saber que a pessoa que está me tocando vai me respeitar e me amar da maneira que eu mereço. Não sou qualquer uma, sou a esposa deles.

O calafrio de sentir o avião tocando o chão havia passado. Finalmente estava em casa. Levantei correndo e nem esperei Dmitri, só me toquei que ele estava correndo atrás de mim quando senti ele puxar meu braço.

_ Espera princesa!

_ Ah desculpa..

_ Tudo bem, precisamos combinar uma coisa antes de você descer.

_ Eu já sei o que é, seu segredo está seguro comigo.

_ Eu sei princesa, mas..

Segurei o rosto dele e lhe dei um beijo tentando deixá-lo mais tranquilo. Dmitri sorriu e eu pude descer do avião.

_ PAPAI!

Corri pros braços do meu pai que já estava me esperando. Haviam mais quatro carros, os soldados do meu esposo começaram a entrar nos carros que estavam vazios.

_ Filha… ah minha borboletinha, que saudade !

Ele me abraçou forte e eu tentei conter as lágrimas de saudade. Depois de um tempo ele me soltou e parou em frente a Dmitri que lhe deu um sorriso e um aperto de mão.

_ Senhor Capo, é bom vê-lo.

Eu sei que meu pai não queria vê-lo e estava mentindo.

_ É bom rever você também, sogro.

Meu pai deu uma torcida no nariz e eu apertei a mão dele tentando chamar a atenção, prefiro que Dmitri permaneça no controle já que o Lobo não anda de bom humor.

_ Vamos ?

Perguntei ansiosa para ver minha mãe.

_ Claro!

Meu pai sentou no banco do motorista, Dmitri no banco do passageiro e eu no banco de trás. Enquanto fazíamos o percurso meu pai colocou a música que costumávamos escutar quando eu era criança e começamos a cantarolar. É tão bom estar em casa..

_ E como Olivia está ?

Perguntou Dmitri visivelmente irritado com a cantoria.

_ Bem, muito bem.

Respondeu meu pai meio seco. Ele não pode passar informações da nossa máfia, muito menos para Dmitri que tecnicamente é meio inimigo da dona Olivia, ela realmente não gosta dele.

_ Diga a ela que preciso vê-la.

Meu pai parou no sinal e encarou Dmitri que encarou de volta. Franzi minha testa curiosa, parecia uma conversação silenciosa.

Quando o carro estacionou fui a primeira a descer ansiosa, Dmitri correu e agarrou meu braço de novo.

_ Ei!

_ O que ?

Perguntei frustrada.

_ Não corra assim, nossa escolta tem que ir na frente!

_ Estamos na minha casa, está tudo bem.

_ Não! Segurança em primeiro lugar.

Disse ele. Fiz um bico irritada. Meu pai desceu do carro e observou a cena.

_ Seu marido tem razão, você é uma das mulheres mais importantes do mundo, precisa cuidar de suas ações.

Me repreendeu ele. Caminhamos até a porta da minha casa e aí sim eu pude correr e abraçar minha mãe que começou a chorar junto comigo. Duas choronas. Meu irmãozinho veio e abraçou nossas pernas, peguei ele no colo e inclui no abraço familiar.

_ Ah mãe.. que saudade !

_ Também estava *morrendo de saudade minha filha..

Sentei com meu irmão no colo, ele está tão grande.. Dmitri cumprimentou minha mãe de longe mas ficou atento a tudo, parecia que a qualquer momento alguém iria tirar uma *faca para acerta-lo.

Bati no sofá ao meu lado e ele sentou. Minha mãe e meu pai sentaram nas poltronas que colocaram à nossa frente.

_ Então.. como.. como o casamento está indo ?

Perguntou minha mãe cheia de dedos. Como se estivesse pisando em ovos.

_ Muito bem mamãe, só a casa que é meio gelada e parece um labirinto, fora isso tá tudo certo.

Falei sorrindo e não menti em nada, no momento essa era a única coisa que estava me incomodando.

_ Ah, você sempre foi de sentir muito frio, aposto que a casa nem é tão gelada assim!

_ Não precisa se preocupar mãe, eu sei lidar com ele. A vida me fez forte.

Falei sorrindo. Começamos a fazer um bolo e quando ele foi pro forno subi até o meu quarto. Estava tudo exatamente do mesmo jeito. Os livros, a cama e as poucas peças de roupa que ficaram. Suspirei ao olhar para um canto específico do quarto. Durante muitos meses me escorei nessa parede e escorreguei pro chão enquanto chorava, enquanto me segurava pra não gritar de dor. Não dor física, mas sim uma dor imensa que inundava o meu peito. Cansei de adormecer no chão frio e acordar sentindo vontade apenas de *morrer, me sentindo como um quebra cabeças com peças a menos e em outros momentos, sentindo apenas o vazio.

Sentei na cama e passei a mão pelo cobertor, meu cheiro ainda estava ali, minhas coisas ainda estavam ali, mas como um estalo mágico senti que esse lugar não é mais minha casa. Por mais que o ‘’palácio’’ seja gelado, minha casa agora é lá. Sei que depois da reforma vou me sentir mais em casa. Muita coisa pode mudar também. Posso terminar a escola, e quem sabe trabalhar. Sei que Dmitri tem empresas lícitas, posso pedir a ele uma vaga, né?

_ Filha?

Minha mãe entrou no quarto enquanto eu apenas me perdia em pensamentos.

_ Oi mãe.

_ Sente saudades?

_ Do quarto ?

_ Sim.

_ Não..

Ela me olhou confusa.

_ Eu sinto saudade de vocês, mas.. é estranho dizer em voz alta mas sinto que minha casa não é mais aqui, é ao lado dele..

Ela colocou a mão no peito e abriu a boca. Alguns segundos depois deu um sorriso com direito a lágrimas.

_ Ah filha.. você ta apaixonada..

Minhas bochechas começaram a esquentar. Por que estou com vergonha?

_ Ah.. acho que sim.

_ Ele trata você bem então?

Perguntou ela novamente.

_ Sim mãe. Dmitri não é um homem fácil e às vezes tenho a impressão que vivo com duas pessoas em um só..

Falei sugestiva, mas nada conclusivo.

_ .. porém, ele está se esforçando. Começamos muito errado, mas nos últimos tempos ele vem se mostrando uma pessoa diferente, dá pra ver que ele está tentando mesmo não tendo muita noção de amor e carinho. A história dele é bem pesada, acho que a de todo mafioso é. Mas mesmo assim ele está tentando.

Ela me abraçou e ficamos assim durante um tempo. Nem acredito que falei tudo isso..nossa, quem diria. Senti muita vontade de *morrer dentro desse quarto, mas agora sinto uma imensa vontade de viver.

Ela me largou e limpou as lágrimas.

_ Bom, vamos ficar de olho no bolo, convide ele e seu pai pra virem tomar um café da tarde conosco.

Disse ela. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Dmitri.

Oi amor, vai vir pro café? Queria que você provasse o bolo da minha mãe enquanto está quentinho.

Chamar ele de amor ainda soa estranho, mas é assim que tratamos aqueles que amamos, né? Aiai, acho que eu caí nos encantos do lobo mau.

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