(Ponto de vista de Julia)
Poucas horas depois, na cobertura de Vincente, enxuguei as lágrimas que enchiam meus olhos. A cena dele me jogando no chão ainda repetia-se em minha mente. Aquilo me machucou muito, e a dor em meu coração ainda não havia diminuído nem um pouco.
Sentada na cama com as malas feitas, me senti uma otária por ter acreditado que poderia fazê-lo se apaixonar por mim. "O que eu estava pensando?"
"Ei, pare de chorar. Terra para Jules... O que aconteceu com minha irmã durona?” A voz do meu meio-irmão, Henry Moore, me fez sorrir. Eu sabia que ele viria, apesar de ter uma agenda apertada como cirurgião no Hospital das Esmeraldas.
“Henry, você veio.” Me levantei e dei-lhe um abraço apertado, chorando em seus ombros como um bebê.
“Meu Deus, Jules. O que o Vincente fez com você para te deixar nesse estado? Não me diga que você se apaixonou por ele. Você disse que só ia usá-lo para descobrir a verdade sobre a morte dos nossos pais”, Henry sussurrou em meus ouvidos enquanto acariciava minhas costas suavemente.
"Sei lá. Achei que eu tava quase conseguindo." Ao me afastarum pouco e olhar para cima, vi Henry sorrindo para mim, prestes a rir. Eu sabia que ele achava aquilo engraçado. Afinal, como um homem arrogante e de coração frio como Vincente Verdi poderia se apaixonar por mim?
“Não se atreva a rir de mim, Henry. Você sabe como ele era quando éramos mais novos. O homem com quem me casei não é o Vincente que eu conhecia. Ele mudou, e eu não havia percebido até hoje." Sentei-me na cama enquanto observava meu irmão rir. Ele estava zombando de mim.
"Irmãzinha... você o conheceu há muito tempo. Aposto que ele nem se lembra do sacrifício que você fez para salvar a vida dele naquela noite. É uma perda de tempo. O coração dele pertence a Rachel. Você precisa seguir em frente, e eu conheço muitos caras legais para te apresentar." Henry então ajudou a carregar duas das minhas malas para fora da cobertura.
“Não estou interessada, Dr. Henry. Se estiver pensando em me fazer sair com um de seus amigos médicos, já pode ir desistindo." Revirei os olhos e desci as escadas. Eu sabia o que tinha que fazer a seguir. “Henry, você poderia me esperar no carro? Preciso fazer uma última coisa antes de deixar esse lugar que chamei de lar nos últimos seis meses.”
“Para de fazer drama. Vou te animar assim que sairmos daqui. Vamos viajar juntos, e depois irei prepará-la para o que está por vir. É hora de você enfrentar seus medos, irmã. É hora de lutar contra seus verdadeiros inimigos. Não aquele homem patético, Vincente Verdi, ou Rachel. Você é muito mais que isso, e merece coisa melhor.” Henry deu um leve beijo na minha testa e levou minhas malas para o carro.
Suspirei pesadamente enquanto caminhava em direção ao escritório de Vincente. Era luxuoso, arrumado e limpo, com móveis de madeira e uma janela panorâmica que mantinha o ambiente bem iluminado. Combinava com ele.
De repente, comecei a chorar de novo.
Meus olhos estavam fixos num documento sobre a mesa, que já estava lá quando entrei no escritório pela primeira vez. Era o nosso acordo de divórcio. Ele o preparou logo no dia em que registramos o casamento.
Com as mãos trêmulas, passei direto para a última página. Estava triste demais para ler o resto. Por fim, assinei meu nome falso no fim da página - Julia Raine.
Em seguida, coloquei a caneta dele ao lado do acordo e me recostei na cadeira. Havia ainda mais uma coisa a fazer.
Eu precisava devolver tudo que ele havia me dado desde quando nos casamos. “Ele me chamou de sanguessuga.” Eu ri com essa lembrança e coloquei na mesa cada objeto que ele me deu durante nosso casamento. “Se ao menos ele soubesse quem eu realmente sou.”
Antes de sair do escritório, sorri olhando para a surpresa que havia deixado. Espero que ele goste, do mundo do meu coração. “Adeus, Vincente Verdi.”

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