(Ponto de vista da autora)
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A Mansão Knight foi construída em um grande terreno cercado por muros altos, erguidos para durar séculos. Dizem que, há duzentos anos, o propósito da mansão era proteger os que viviam nela da guerra que ocorreu na Cidade de Bloom. Situado no topo de uma colina, com vista para toda a cidade, o casarão é, hoje, símbolo de status e riqueza.
A mansão passou por muitas reformas ao longo do tempo, tanto estéticas quanto funcionais, e ainda parecia magnífica e esplendorosa. Do lado de fora, modernas esculturas escolhidas a dedo por Laura Julianne Knight, filha única do falecido Lucas Knight, ex-presidente da Corporação Knight, decoravam o gramado.
Ninguém esperava que o trono da empresa fosse entregue a Lionel Knight imediatamente após a morte de seu irmão, e muito menos que este assumisse a mansão poucos dias depois.
No entanto, o dia em que a família de Lionel, que estava hospedada na grande mansão, teve que se despedir de sua casa ancestral chegou. Eles não tinham escolha - precisavam abrir mão da mansão para se livrarem de seus problemas financeiros.
“Se você não tivesse caído no papo daquele vigarista do Theo, não estaríamos nessa situação, Carla.” Enfurecido, Lionel olhou para sua única filha à medida que ordenava a seus empregados que empacotassem seus pertences em uma caixa. Ele estava envergonhado com a situação deles, mas aquela era a única forma de pagar a enorme dívida que adquiriam após seus investimenos não darem lucros.
Vender a mansão era sua última chance de sair do buraco.
"Então a culpa é minha? Por que você não culpa o Henry? Ele poderia ter nos ajudado se você concordasse em vender a casa pra ele. Mas, ao invés disso, você resolveu vender pra um cara qualquer que conheceu num cassino”, Carla retrucou e mostrou o dedo do meio ao pai. “Quem gastou nosso dinheiro em festas, mulheres e jogos de azar? Quem arriscou tudo em investimentos absurdos? A culpa é sua, seu velho doente!”
“CARLA!”, Lionel gritou tão alto que um dos empregados derrubou uma das caixas que carregava. “Cuidado com a boca, sua ingrata! Henry é amigo da nova investidora, então é melhor não mexermos com ele. Depois, falo com o Calvin Dubois e pego a casa de volta. É apenas uma situação temporária enquanto esperamos nosso cassino abrir.”
“Não tenho medo do Henry, pai. Ele nem é um Knight. Um dia, ainda irei acabar com ele. Tio Lucas errou ao dar as ações a ele, mas vou dar um jeito de tomá-las”, Carla riu e balançou a cabeça. “Você acha que a nova investidora, aquela velha da Corporação Rise, conseguiria me atingir? Vou torturá-la lentamente, arruinando sua reputação! Vou tirar a empresa dela.”
“Podemos não estar no controle, mas ainda temos algumas ações da empresa. Tenho um plano, e ele vai funcionar. Serei legal com ela e farei com que confie em nós. Em seguida, nos uniremos aos outros acionistas e a tiraremos da presidência”, Lionel sorriu para si mesmo e esfregou o queixo com uma mão. “Os outros acionistas estarão do nosso lado. Vou me certificar disso."
Ao ouvir as palavras do pai, Carla riu histericamente. “Será legal com ela? O que você planeja fazer? Transar com ela? Você é alérgico a gatos, pai, e ela tem dezenas deles. Isso sem falar que ela é da Austrália. Você planeja se mudar para lá? É muito longe da Cidade de Bloom. Você não sobreviveria sem mim por perto, cuidando de você e limpando a nojeira que você faz.”
Antes que Lionel pudesse responder ao deboche da filha, a porta de seu quarto se abriu. Ali estava seu irmão mais novo, Leroy Knight. "Irmão!"
Sem fôlego, Leroy aparentava ter subido as escadas correndo para encontrar Lionel. Ele respirou fundo algumas vezes e olhou para a dupla composta por pai e filha antes de soltar uma bomba que quase os fez infartar. "Ela está viva!"
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(Ponto de vista de Laura)
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Sentei-me na parte de trás de uma limusine com vidros insulfilmados. Minhas mãos estavam um pouco suadas, e meus dedos tremiam. Depois de tanto tempo escondida, hoje seria o dia em que eu voltaria a ser a filha perdida de Lucas Knight e herdeira da Corporação Knight.
"Você está nervosa, irmãzinha?", Henry sussurrou e segurou minha mão para me confortar. “Lembre-se do nosso combinado. Mostre a eles quem você é. Chega de se esconder.”
Eu assenti e dei a ele um sorriso fraco. Um sorriso que, depois, se transformou em uma pequena risada.
“Julia Raine ligou. Como esperado, Vincente, foi vê-la.” Quando lembrei-me da conversa que tive com ela, meu riso se transformou em uma gargalhada. “Ela fez a parte dela e respondeu todas as perguntas. O plano está funcionando. Vincente logo ficará louco. Ela disse a ele que eu estava morta e doou todo o dinheiro do divórcio para sua fundação de caridade. Dá pra imaginar o que ele fará quando descobrir que eu o enganei? A reação dele será impagável.”
Eu dei outra risada, e Henry também deu um sorriso largo. Queria ter estado lá para ver Vincente sendo enganado pela velha Julia Raine. Ele nunca teria imaginado que ela era prima distante da minha falecida mãe. Como preferia ficar longe dos holofotes, ninguém na família Knight sabia quem ela era, exceto Henry.
Eu não podia acreditar que a verdadeira Julia Raine havia convencido Vincente de que eu peguei sua identidade emprestada para fugir do abuso que sofri de minha própria família. Bem, nem tudo é mentira. Vincente era cego demais para não perceber quem eu realmente era. Ele só queria saber da Rachel.
"Não se preocupe, as coisas vão ficar bem. Confie em mim. Basta seguir o plano”, Henry assegurou-me, fazendo eu me sentir à vontade novamente.
"Estou pronta. Abra a porta. Vamos resolver essa merda", pedi. Então, ele veio e me ajudou a sair do carro.
Lá estava eu, no saguão da sede da Corporação Knight - um edifício alto e moderno, que mostrava riqueza e poder.
De frente para os repórteres, parei para arrumar a gola de meu terno branco feito sob medida. No entanto, ignorei as perguntas deles e continuei andando. 'Mantenha a calma, Laura.'
"Srta. Knight, onde você esteve?"
"Srta. Knight, você será a nova presidente da empresa?"
"Srta. Knight, é verdade que você estava se escondendo para se recuperar do trauma causado pelo acidente de seus pais?"
"Srta. Knight, quais são seus planos para a empresa?"
Havia inúmeras perguntas feitas por inúmeros repórteres, e eu não planejava respondê-las.
Porém, havia algo que eu queria dizer após tanto tempo me escondendo.
Assim, me virei para encarar os repórteres e baixei meus óculos de sol para que eles vissem meus vibrantes olhos azuis. Com um semblante sério e um tom de voz firme e determinado, eu disse: “Eu voltei, e vou pegar de volta o que é meu".
Dizer aquilo foi bom pra caramba!

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