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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 174

Branca

Cássio não conseguia parar quieto.

Ele andava de um lado para o outro pela sala, passando a mão pelos cabelos, olhava para o celular, para a porta, para mim... e recomeçava tudo de novo. Eu nunca o vi assim. Nem nos momentos mais tensos. Nem quando tudo parecia desmoronar ao nosso redor.

Hoje ele estava mais tenso. Era diferente saber que conheceria pessoas que faziam parte da minha vida, mas nunca se importaram com isso.

Laís já tinha saído com a Aelyn, e isso deveria me deixar mais tranquila... mas, de alguma forma, só deixava tudo mais real. Mais sério. Mais perigoso.

Eu estava sentada na beirada da cama, tentando não roer o cantinho da unha, mas sempre que eu pensava quem estava vindo...

Meu passado está prestes a atravessar aquela porta.

Cássio caminhou até mim e se abaixou a minha frente, segurando minhas mãos.

"Tem mais alguma coisa que eu deveria saber?"

A voz dele é firme, mas eu conseguia sentir a tensão por baixo.

"Não..." respiro fundo. Minha mente passa rápido por tudo que eu sei, tudo que eu vivi. "Só que a Ana é irmã mais velha do Jonathan."

Ele franze a testa.

"Ela é como ele?"

Eu balanço a cabeça.

"Não. Ela é... diferente." Penso por um segundo. "Ela é uma pessoa decente. Desde que não mexam no que é dela."

Cássio estreita os olhos.

"Você faz ideia do que ela quer?" Eu nego. "Não exatamente... mas..." engulo em seco. "Provavelmente quer alinhar as coisas agora que o Jonathan saiu da prisão. Mas não acho que seja por ela, e sim por meu avô. Não há diálogo entre nós, ela é a intermediária."

Ele me encara.

"O que acham que ela veio intermediar?"

Eu sustento o olhar dele.

"Pedir para que eu retire a queixa."

O maxilar dele trava na mesma hora.

"Você não vai." A resposta vem imediata.

Antes que eu possa dizer qualquer coisa, a campainha toca. O som ecoa pela casa inteira como um aviso.

Meu coração dispara. Por um segundo, eu simplesmente não consigo me mover.

Cássio se levanta e me puxa com ele, envolvendo seus braços ao meu redor.

"Vai ficar tudo bem." A voz dele é baixa, firme. "Eu estou aqui." Fecho os olhos por um instante. E apenas concordo.

Me recomponho antes de descer as escadas de mãos dadas com Cássio.

Cada degrau parece mais longe que o anterior. Eu não queria ter que vê-los.

André estava no hall os esperando e já tinha aberto a porta para eles entrarem. Ele estava vais tenso e sério que Cássio, pois conhecia aquela gente tão bem quanto eu.

Seus olhos se erguem para nós na escada e ele nos indica a sala de estar.

Quando eu entro... O tempo parece parar. Eles não mudaram nada.

Meu avô está exatamente como eu lembrava. Postura rígida, expressão dura, apoiado na bengala como se fosse uma extensão da própria autoridade.

E Ana... Ana está igual também.

Linda, elegante e contida. Mas sua principal marca é a observação. Ela está registrando tudo, sem dizer nada.

Ela me olha primeiro e sorri. Da mesma forma de sempre.

"Oi, Branca."

Ela não se aproxima. Nunca fomos de abraços. Sempre foi respeito... à distância.

Meu avô não sorri. Ele apenas me observa. Com sua expressão de desgosto de sempre.

Meu corpo enrijece automaticamente.

E antes que eu perceba, Cássio aperta minha mão e dá um passo à frente.

Se colocando entre nós. Como um muro. Como um aviso.

Mas meu avô não se move. Claro que não. Ele nunca recua.

"Você tem deveres com a sua família, Branca." A voz dele vem mais dura agora. "Não pode simplesmente virar as costas..."

Cássio o interrompe. E dessa vez... sem nenhuma paciência.

"Os deveres dela são se recuperar da merda que vocês fizeram com ela." Ele dá um passo à frente. "Se vocês não saírem agora da minha casa, eu vou chamar a polícia. E colocar seu querido neto de volta na cadeia."

Os olhos dele não vacilam.

"Nós temos uma medida protetiva contra ele. E mandar recado por meio de vocês não vai ser tolerado."

Meu avô fica vermelho de raiva; ele odeia perder o controle.

Ele se levanta com dificuldade, apoiado na bengala.

"Você sabe com quem está falando, rapaz?" A voz dele cresce. "Os costumes da minha família são..."

"Ultrapassados." André corta. "E prejudiciais." Ele dá mais um passo. "Se não saírem agora..."

Meu avô ignora. Olha diretamente para mim.

"Você vai permitir isso, Branca?"

A voz dele muda para algo mais controlado e manipulador.

"Somos o que restou da sua família paterna. Se continuar nesse caminho..." Ele aperta a bengala. "Eu vou excluir você da herança."

Dou risada, uma que a tempos não soltava. Então era isso? Ele achou que podia me manipular com herança? Ah, eles não me conheciam mesmo.

Vivi 5 anos fugindo sem usar um dólar sequer deles, e ele vem me falar de herança?

"Fica tranquilo." Dou um passo à frente. "A última coisa que eu quero de vocês é dinheiro." Sustento o olhar dele. "Eu não sou mais uma Krieger, vovô. Eu sou uma Bayron. O único orgulho que eu tenho é do sangue da minha mãe."

Sinto a mão de Cássio apertar a minha. E isso me fortalece ainda mais.

"Não quero nenhum tipo de contato com vocês." Olho rapidamente para André.

"Tudo o que tiverem para dizer... tratem com o meu advogado, que no caso é meu irmão e sabe tudo sobre o que eu passei na família de vocês." Volto o olhar para o meu avô. "Se for só isso... Gostaria de abrir a porta para vocês."

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