Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 188

Branca

Eu acordo sozinha. Na verdade, nem sei em que momento daquela tarde eu peguei no sono.

A primeira coisa que sinto é o lado vazio da cama e, por um segundo, meu coração tropeça. Ainda estou meio perdida entre o peso da conversa com a minha mãe, o colo do Cássio, a promessa dele de que sabia o que fazer… e o cansaço que me venceu sem que eu percebesse. Demoro alguns segundos para me localizar de verdade, mas quando consigo, a sensação ruim já está ali, instalada de novo no peito.

O quarto está silencioso demais.

Sento devagar na cama e passo a mão pelo rosto. Minha cabeça ainda dói. Meus olhos estão inchados. E meu corpo inteiro parece pesado, como se eu tivesse passado o dia inteiro lutando, mesmo sem sair do lugar.

Eu me levanto, visto o robe por cima da camisola e saio do quarto.

Assim que começo a descer as escadas, percebo que alguma coisa mudou.

Não é impressão.

Mudou mesmo.

A casa está mais movimentada, mas de um jeito estranho. Contido. Organizado. Tenso. Ouço vozes baixas vindo do escritório, passos mais firmes do lado de fora, o som do portão abrindo e fechando, alguém falando ao telefone no jardim. Meu estômago aperta na mesma hora.

Desço mais rápido.

No meio do caminho, vejo um homem que nunca vi antes atravessando o hall ao lado de um dos seguranças antigos. Eles carregam pastas, falam baixo, entram em um cômodo e fecham a porta.

Paro no último degrau.

O ar da casa está diferente.

É como se eu tivesse dormido num lugar… e acordado em outro.

"Boa tarde."

A voz vem atrás de mim, e eu me viro a tempo de ver Tamara surgindo da cozinha com uma xícara de café nas mãos.

"Tudo bem? Está se sentindo melhor?"

Eu demoro um pouco para responder, porque a verdade é que não sei.

"O que está acontecendo?"

Ela olha por cima do ombro, como se quisesse medir o quanto deve me contar.

"O senhor Ravelli está resolvendo algumas coisas."

Resolvendo algumas coisas.

Meu coração acelera.

"Que coisas?"

Mas ela apenas me oferece a xícara, com aquele jeito gentil de sempre.

Cássio dá um passo na minha direção.

"Branca..."

"Não." Ergo a mão antes que ele continue. "Eu quero saber o que está acontecendo."

Os dois homens trocam um olhar discreto, e André se levanta.

"Acho melhor a gente dar um minuto para eles."

Ninguém discute. Em segundos, o escritório se esvazia até restarmos só eu, Cássio e o silêncio pesado entre nós.

Eu fecho a porta atrás de mim.

"Você quer me explicar por que eu acordei dentro da minha própria casa sem saber de metade das coisas que já estão acontecendo nela?"

Cássio passa a mão pelo rosto, respirando fundo daquele jeito controlado que sempre me irrita quando estou à beira de explodir.

"Eu não quero te desgastar com tudo isso. Você não precisa se preocupar com nada."

"Ah, então era isso?" Dou uma risada seca, sem humor nenhum. "Você estava me poupando?"

"Eu estava te protegendo."

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz