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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 189

Branca

A resposta vem imediata. E é justamente isso que me atravessa como uma faca.

"Não faz isso."

Ele franze a testa.

"Fazer o quê?"

"Decidir por mim." Dou um passo à frente, sentindo a raiva crescer junto com o medo. "Resolver tudo sem me dizer. Mudar a rotina da casa. Mexer com a segurança da Aelyn. Traçar planos com o meu irmão. E me deixar dormindo como se eu fosse…"

A palavra trava. Como se eu fosse o quê? Fraca? Instável? Incapaz?

"Como se eu fosse um problema que você precisa administrar", termino, mais baixo, mas ainda pior.

O olhar dele pesa sobre mim.

"Não foi isso que eu fiz."

"Foi exatamente isso."

"Branca..."

A voz dele endurece um pouco.

"Não."

Eu balanço a cabeça.

"Você disse que tinha um plano. Disse para eu confiar em você. E eu confiei. Mas confiar em você não significa entregar o volante da minha vida sem nem saber para onde estamos indo."

Ele me encara em silêncio por um segundo, e percebo a exata hora em que a paciência dele começa a rachar.

"Você queria o quê? Que eu esperasse?"

A pergunta vem baixa, mas carregada.

"Que eu ficasse sentado vendo você desmoronar enquanto o Jonathan, o avô e sabe-se lá quem mais se organizam lá fora para te pegar?"

"Eu queria participar!"

Minha voz sobe.

A dele não.

E isso me irrita ainda mais.

"Você vai participar."

"Quando? Depois que estiver tudo decidido?"

"Depois que eu tiver certeza de que é seguro."

Eu fico imóvel, só olhando para ele.

Porque agora está dito.

Agora está claro.

"Seguro para quem?"

Ele passa a língua pelos lábios, tentando se conter.

"Não começa."

"Seguro para quem, Cássio?"

Minha voz falha, mas não recua.

"Para mim? Ou para você continuar no controle?"

O silêncio pesa de um jeito feio.

Ele se aproxima devagar, e não há agressividade no gesto. Só firmeza. Aquela firmeza irritante, masculina, protetora, decidida… que em outro momento me faria sentir amada.

Agora me faz sentir encurralada.

"Eu estou tentando manter você viva."

As palavras saem baixas.

Cruas.

Honesta.

Quase dura de tão verdadeira.

"E amar você agora significa fazer o que for preciso."

Eu o encaro, sentindo os olhos arderem.

"Mesmo que isso signifique me deixar de fora?"

Ele não responde imediatamente.

E esse segundo de demora é o suficiente para me machucar mais do que eu gostaria.

"Ótimo."

Me afasto dele antes que ele tente segurar meu braço ou dizer alguma coisa que vá me desmontar.

"Então faz do seu jeito."

"Branca..."

"Não." Minha voz sai firme outra vez, mesmo com tudo tremendo aqui dentro. "Você quer guerra? Vai lá e faz a sua guerra. Mas não me pede para sorrir e agradecer enquanto eu assisto da arquibancada."

Eu giro a maçaneta, abro a porta e saio antes que ele veja o quanto essa discussão me abalou.

Mas não vou longe. Porque, antes de alcançar a escada, paro no corredor e levo a mão à boca, tentando conter o choro que sobe de novo.

Não era isso que eu queria.

Eu não queria brigar com ele.

Não queria transformar amor em disputa.

Não queria olhar para o homem que está tentando me proteger e sentir medo de desaparecer dentro da proteção dele.

Só que é exatamente isso que está acontecendo.

E o pior de tudo é que, pela primeira vez desde que essa guerra começou, eu não sei se estou mais assustada com o que vem de fora…

Ou com o que isso pode fazer com a gente.

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