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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 223

André

Cinco dias.

Eu nunca imaginei que cinco dias pudessem parecer uma eternidade, mas agora eu sei exatamente como isso funciona, porque cada hora arrasta, cada minuto pesa, e tudo o que eu faço parece pequeno demais diante do que realmente importa.

Estou sentado na poltrona do quarto do hotel, com uma xícara de café na mão que já esfriou há muito tempo, mas eu nem percebi, porque meu olhar está perdido, tentando não pensar… e falhando completamente, já que tudo o que passa pela minha cabeça é ele.

A porta se abre e eu levanto o olhar no mesmo instante, reconhecendo a Laís antes mesmo de processar qualquer outra coisa, mas é o envelope na mão dela que faz meu coração disparar de uma forma que chega a doer. Eu não me levanto, não consigo, é como se qualquer movimento pudesse quebrar aquele momento antes mesmo dele acontecer, então só fico ali, olhando para aquele envelope como se ele fosse capaz de definir toda a minha vida.

"Você quer que eu abra?" a voz dela vem calma, firme, exatamente como sempre é quando eu mais preciso, e eu passo a mão pelo rosto tentando reunir o mínimo de coragem dentro de mim, mas não encontro.

"Eu não vou conseguir fazer isso sozinho", admito, mais baixo do que gostaria, mas completamente sincero, e quando olho para ela, sinto de novo aquele orgulho absurdo da mulher que eu escolhi, porque, nesses últimos dias ela não saiu do meu lado em momento nenhum, me segurou quando eu não consegui, tomou decisões quando eu travava e foi forte por nós dois sem nunca me deixar sentir pequeno por isso.

"Abre pra mim", peço, e ela apenas confirma com a cabeça antes de romper o lacre do envelope, o som do papel sendo aberto ecoando mais alto do que deveria naquele quarto silencioso, enquanto meu coração acelera a cada segundo. Eu observo cada movimento dela, cada detalhe, enquanto ela puxa o resultado e começa a ler, até que, no segundo seguinte, os olhos dela se arregalam e meu corpo inteiro trava.

"O que foi?" já estou de pé antes mesmo de perceber, o desespero vindo rápido demais. "É negativo? Não é ele? Me fala, Laís", falo tudo de uma vez, sem controle nenhum, mas então ela sorri, e não é qualquer sorriso, é o sorriso mais bonito que eu já vi na minha vida.

E a beijo.

Um beijo intenso, urgente, carregado de tudo que ficou preso nesses cinco dias, medo, tensão, ansiedade… e agora alívio. Minha mão se perde nela como se precisasse confirmar que ela ainda está ali comigo, e quando os dedos dela se prendem no meu cabelo, eu sinto meu coração disparar de um jeito completamente diferente, mesmo com um braço imobilizado meu corpo reage, pede por ela, como se tudo estivesse finalmente voltando ao lugar.

Ela se afasta com um sorriso de lado, aquele sorriso que sempre me desmonta, e diz, com a voz baixa e firme: "Vamos comemorar mais tarde. Agora eu quero que você veja seu filho ainda hoje", e então sai do quarto como se fosse dona de tudo, deixando para trás uma certeza que se instala em mim sem esforço algum.

Ela é.

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