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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 269

André

Ele estava acordado quando bati na porta.

Eu sabia por que não houve aquela pausa de quem foi tirado do sono, a resposta veio rápida, já presente.

"Pode entrar."

Entrei e a Laís veio atrás de mim, e ela fechou a porta com aquele cuidado de quem está criando um espaço separado do resto da casa.

O Felipe estava sentado na cama, as costas na cabeceira, as mãos no colo. Ele virou o rosto na nossa direção com aquela precisão que ainda me surpreendia às vezes.

"Os dois juntos de manhã cedo", ele disse. "Aconteceu alguma coisa, né?"

Ele era mais esperto do que a gente imaginava.

"É aconteceu uma coisa..." falei.

Fui até a cama e sentei ao lado dele. A Laís ficou do outro lado, e por um segundo ficamos os três em silêncio, e eu pensei em como começar...

"Eu sei que você tem muitas perguntas sobre o seu passado. Sobre o por que de tudo que aconteceu em sua vida..." comecei, olhando sempre para ele e para a Laís. "Mas... eu não tenho todas as respostas, e talvez, ninguém tenha."

"O que aconteceu com a Emily?" ele falou se virando completamente para mim, entendendo exatamente o que eu tinha para dizer.

"O hospital ligou esta manhã", eu falei. "A Emily não resistiu, Felipe. Ela morreu hoje cedo, sinto muito."

O silêncio que veio depois foi diferente de todos os outros silêncios que eu tinha vivido com ele.

Ele ficou imóvel por um momento, aquela imobilidade dele de quem está processando por dentro antes de deixar qualquer coisa aparecer por fora.

Eu fiquei quieto, deixando ele ter o tempo que precisava.

A Laís também.

Quando ele falou, a voz estava controlada, mas havia algo nela que eu reconheci, não era choro, não era raiva, era aquela coisa mais funda que não tem nome fácil.

"Eu sabia que podia acontecer", ele disse sem vacilar.

"Eu sei."

"Ela estava em coma há meses."

"Estava."

Ele ficou quieto de novo. E então disse algo que eu não esperava.

"Você acha que ela sofreu?"

"Acho que sinto um pouco de tudo", ele disse, honesto. "Mas não tô mal." Virou o rosto na minha direção. "Você está?"

A pergunta me pegou desprevenido.

Eu pensei de verdade antes de responder.

"Acho que também", eu disse. "Um pouco de tudo. Também não sei explicar." ele me abraçou de lado e eu o envolvi, beijando o topo da sua cabeça.

"Sinto muito..." falei de novo, mas não era só sobre aquele momento, era sobre tudo que ele ja tinha passado e que ainda estava passando.

"Eu também sinto muito, papai." Olhei para Laís que limpava uma lágrima no canto do olho, e a puxei para o abraço também.

Ficamos um bom tempo assim, até que ele se desprendeu de nós e disse.

"E agora, o que acontece?"

"Eu vou até o hospital para fazer a liberação da papelada e vou informar a família dela."

"Posso fazer isso, André." Laís falou prontamente, e eu neguei.

"Eu vou com você." Felipe falou.

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