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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 314

Felipe

Eu ainda estava com a Aelyn nos braços quando Liana abriu a boca, claramente tentando se defender.

"Eu não fui informada de que as senhoras eram pessoas conhecidas da empresa. Fiz apenas o meu trabalho, doutor Felipe."

Ela olhou feio para Serena, depois demorou o olhar em Aelyn, que ainda estava aconchegada contra o meu peito. O jeito como Liana encarou minha namorada me irritou profundamente. Havia algo de desdém e surpresa naquele olhar que eu não gostei nem um pouco.

Serena não segurou a língua:

"Eu avisei que éramos da família. Você não quis ouvir. Eu pedi para chamar ele e você disse que não ia incomodar os chefes. Você causou tudo isso. Se tivesse perguntado para a Dona Marta, ela teria explicado na hora."

Liana me olhou em desespero, como se esperasse que eu tomasse o lado dela. Respirei fundo, mantendo a voz controlada.

"Serena, Aelyn… entrem na minha sala, por favor. Eu vou resolver isso aqui."

Serena passou por mim e, antes de entrar, sussurrou baixinho:

"Manda ela embora."

Quase ri. Quase.

Assim que a porta se fechou atrás delas, eu me virei para Liana. Cruzei os braços e a encarei seriamente. Ela estava branca.

"Por que não me chamou, Liana?"

"Eu… eu achei que elas estavam invadindo, doutor. Eu… eu achei que eram pessoas estranhas tentando se aproveitar."

"Você começou tem pouco tempo aqui e ainda não conhece todo o nosso círculo social. Isso é compreensível. Mas elas são da família. Mais que isso: Aelyn é minha namorada. Ela tem acesso total a tudo aqui. Eu pedi para ela vir me ver hoje."

Liana piscou várias vezes, claramente chocada.

"O pai dela é sócio do meu pai. Conhece o Juiz Ravelli? Ele é o pai daquelas duas que você acabou de ameaçar chamar a polícia. Então, antes de dizer que vai chamar a polícia ou qualquer coisa do tipo, peça o nome completo, peça para aguardar e nos comunique. Se a Marta, que está aqui há anos, deixou elas subirem sem te avisar, é porque tinha motivo. Não acha?"

Ela ficou em silêncio, sem ter o que responder. As mãos tremiam levemente ao lado do corpo.

"Foi falha minha, doutor Felipe. Eu deveria ter feito isso. Mas quis mostrar meu profissionalismo e acabei…"

"Isso não foi profissionalismo", interrompi, firme. "Foi soberba. Você quis se impor, quis ser melhor que elas, quis mostrar poder. Eu não admito esse tipo de atitude com os nossos clientes… imagine com quem é importante pra mim."

Liana baixou o olhar, envergonhada.

"Desculpe. Não vai se repetir."

"Eu vou te dar uma última chance. Não cometa o mesmo erro. Se acontecer de novo, não terá próxima vez. Entendido?"

"Sim, doutor. Entendido."

Eu já estava me virando para entrar na sala quando ela falou novamente, quase num sussurro:

"Eu… eu não sabia que o senhor namorava."

Parei no meio do movimento e me virei de novo, olhando direto nos olhos dela.

"Agora sabe."

Entrei na sala e fechei a porta com um clique suave. Aelyn estava sentada no sofá de canto, com Serena ao lado. As duas me olharam ao mesmo tempo.

"Então?", Serena perguntou, cruzando os braços. "Mandou embora?"

"E posso te levar pra casa mais tarde e cuidar de você direitinho?"

Ela mordeu o lábio, sorrindo tímida.

"Também."

Serena se levantou dramaticamente.

"Chega. Eu já entendi que sou vela aqui. Você leva ela pra casa. Eu tenho que ir até o fórum para o papai, daqui a pouco, então até mais tarde."

Ela deu um beijo na testa da Aelyn e piscou pra mim antes de sair.

Quando ficamos sozinhos, eu encostei minha testa na dela, respirando o cheiro dela.

"Você não tem noção do quanto eu te quero, né?", sussurrei. "Fico contando os dias pra esse mês passar logo."

Aelyn passou os dedos no meu cabelo, os olhos brilhando.

"Eu também. Mas vamos com calma. Não quero que nada dê errado."

"Eu sei. Vou ser paciente." Beijei o canto da boca dela. "Mas quando chegar a hora… eu vou te amar do jeito que você merece. Devagar, com calma, prestando atenção em cada suspiro seu."

Ela estremeceu no meu colo e me beijou de novo, mais fundo dessa vez. Minhas mãos desceram pelas costas dela, apertando de leve.

"Eu te amo, Fê."

"Eu te amo mais. E agora que todo mundo aqui sabe que você é minha… ninguém mais vai te impedir de entrar nessa sala. Nunca mais."

Ficamos ali, abraçados, com o barulho da cidade lá fora e o coração dela batendo contra o meu. Depois de tanto tempo esperando, finalmente as coisas pareciam estar se encaixando.

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