Aelyn
Saímos pela porta dos fundos do escritório, quase como dois fugitivos. Felipe segurava minha mão com firmeza enquanto caminhávamos rápido pelo estacionamento privativo. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que ele conseguia ouvir.
Eu estava empolgada. Nervosa. Em êxtase. E absolutamente apavorada.
Como ele conseguia me fazer sentir tanto só com os dedos? O que seria quando fosse tudo? Quando ele estivesse dentro de mim? A ideia me deixava quente e gelada ao mesmo tempo. Eu queria. Deus, como eu queria. Mas também tinha medo de não saber o que fazer, de doer, de não ser boa o suficiente pra ele. Dele perder o interesse depois que...
Felipe parou ao lado do carro, abriu a porta pra mim e, antes que eu entrasse, entrelaçou nossos dedos. Ele me olhou sério, quase solene.
"Se você não quiser hoje, a gente espera. A gente pode ir devagar o quanto você precisar, amor. Não tem pressa."
Eu neguei com a cabeça, sentindo o peito apertado de emoção.
"Eu quero. Quero saber como é estar com você. Como é ser amada assim... quero aplacar esse desespero que anda me consumindo."
Ele beijou as costas da minha mão com tanta ternura que meus olhos marejaram. Depois me deu um selinho leve e murmurou:
"Então vamos pra casa."
O trajeto até o apartamento dele foi silencioso, mas carregado. Eu só tinha ido lá duas vezes, logo depois que ele comprou, numa época em que as coisas entre nós ainda estavam estranhas. O prédio era o mesmo, mas tudo parecia diferente agora.
Quando chegamos, ele abriu a porta do carro pra mim como um cavalheiro. Eu sorri, aceitando a mão que ele estendia. No elevador, o silêncio ficou mais denso. Eu olhava para os números subindo e sentia o olhar dele em mim. Era o Felipe. O meu Felipe. O homem que eu amava desde sempre. Respirei fundo e tentei me acalmar.
Assim que entramos no apartamento, notei as mudanças. As cores estavam mais quentes, tinha mais quadros nas paredes, um tapete novo na sala. Parecia mais... lar.
O celular dele começou a tocar no bolso. Ele olhou rapidamente, desligou sem nem ver quem era e jogou o aparelho no sofá.
"Fica à vontade", disse, sorrindo.
Eu caminhei devagar pela sala, observando tudo. Era tão ele. Organizado, masculino, com toques de bom gosto. Sorri ao ver uma foto nossa antiga na estante, uma das milhares que nós tinhamos. E então vi a foto do dia do restaurante jardim, maior e num porta retrato lindo. Caminhei até ela e toquei nossos rostos pelo vidro. Eram sorrisos genuínos.
De repente, braços fortes me envolveram por trás. Felipe me puxou contra o peito dele, enterrando o rosto no meu pescoço.
"Sabe... quando eu comprei esse apartamento, eu queria que você tivesse escolhido tudo comigo. Cada detalhe, cada cor, cada móvel. Mas depois... aconteceu tudo aquilo. Eu quase te perdi." A voz dele ficou mais rouca. "Agora eu fico pensando em como poderíamos ter aproveitado esse tempo."
Eu me virei nos braços dele e segurei seu rosto.
"O tempo certo é agora, Fê. Com a maturidade que a gente tem hoje. Com tudo que a gente já passou. Talvez a gente não tivesse dado certo a 4 anos atrás." dei de ombros. "Mas estamos dando certo agora."
Ele concordou, os olhos brilhando, e me beijou.
O beijo começou calmo, quase reverente. Mas logo foi ganhando intensidade. Línguas se encontrando, respirações se misturando, mãos apertando. Felipe me pegou no colo de repente, como se eu não pesasse nada. Eu soltei um gritinho surpreso e segurei no pescoço dele enquanto ele me carregava pelo corredor até o quarto.
Ele me deitou na cama com cuidado, como se eu fosse feita de cristal. Ficou em cima de mim, apoiado nos antebraços, olhando-me com tanta intensidade que meu coração estremeceu.
"Tem certeza que quer viver isso comigo, Aelyn?"
Eu assenti, sem hesitar.
"Tenho."
Ele encostou a testa na minha e sussurrou, a voz grave e possessiva:

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