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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 47

Branca

Eu me afastei um passo, tentando recuperar o ar que o abraço dele tinha roubado. Meu peito subia e descia rápido demais, e eu odiava como meu corpo reagia a ele sem pedir licença. Era ridículo. Perigoso. Ele era perigoso. E eu estava emotiva demais, vulnerável demais, pendurada naquele homem como se ele fosse a única coisa sólida no meio do caos.

Respirei fundo, forcei um sorriso leve e mudei de assunto antes que eu dissesse algo idiota, tipo “não me solta nunca mais”.

“Você tá com fome?” perguntei, a voz saindo mais rouca do que eu queria. “A Aelyn e eu esperamos você pra assistir o filme. E pode ter certeza: ela tá brava com você. Muito brava.”

Cássio me olhou de lado, aquele sorriso lento e predador se formando nos lábios.

“Tô com fome, sim” respondeu, a voz baixa, grave. “Mas não de comida.”

Eu ri, um riso curto e nervoso, sentindo o calor subir pelo pescoço.

“Safado.”

Ele deu um passo à frente, me puxando pela cintura até colar nossos corpos de novo. Meu coração disparou.

“Jantei com o André” murmurou, o hálito quente roçando minha orelha. “Mas isso não resolve o que eu tô sentindo agora.”

Engoli em seco, tentando manter o controle.

“Ele… já sabe sobre o Jonathan?”

Cássio assentiu, sem desviar os olhos dos meus.

“Sabe. E além de mim, o André já tá fazendo de tudo pra pegar esse filho da puta. Com dois juízes na cola dele, Branca… vai ser mais fácil do que imagina.”

Fechei os olhos por um segundo, aliviada, mas também assustada com o quanto eu confiava nele. Com o quanto eu queria confiar.

“Você tá saindo melhor do que a encomenda, sabia?” falei baixinho, quase sem querer.

Ele se aproximou mais, os lábios a milímetros dos meus. O ar entre a gente parecia carregado de eletricidade.

“Te digo o mesmo” sussurrou, a voz rouca.

Meu corpo inteiro reagiu. Traidor.

“Então… como amanhã, você não vai ter sua folga” ele falou. “Vamos aproveitar pra fazer algo nós três. Aqui em casa. Filme, pipoca. Preciso compensar você e a Aelyn.”

Fiquei quieta por alguns segundos e então achei melhor arriscar meu palpite.

“Mas eu combinei de sair com alguém. Já te falei isso, Cássio.”

O olhar dele escureceu na hora. Vi as pupilas dilatarem, a mandíbula travar. Ele respirou fundo, devagar, como se estivesse se controlando para não explodir.

Então ele deu a volta no balcão num movimento rápido, tirou o copo da minha mão e me puxou pela cintura com força, colando meu corpo no dele.

“Acho que não te fiz gritar meu nome o suficiente” murmurou contra minha boca.

Antes que eu pudesse responder, ele me jogou sobre o ombro como se eu não pesasse nada. Dei um gritinho surpreso, meio riso, meio protesto.

“Cássio! Me põe no chão!”

Ele nem respondeu. Só deu um tapa firme na minha bunda, o som ecoou na cozinha vazia, e eu soltei um “seu idiota!” entre risos e indignação fingida.

Ele começou a subir as escadas, passos largos, decididos. Eu sentia cada músculo do ombro dele se mexendo sob mim, o calor da mão grande na parte de trás das minhas coxas, segurando firme.

Meu corpo inteiro acordou. O coração batia na garganta, o calor se espalhava entre as pernas, e eu mordi o lábio pra não gemer só de imaginar o que vinha depois.

Ele estava me levando pro quarto dele.

E eu… eu queria isso mais do que qualquer coisa no mundo.

Quando ele abriu a porta com o ombro e me jogou na cama, os olhos queimando nos meus, eu soube: a brincadeira tinha acabado.

Agora era só nós dois. E o fogo que a gente vinha segurando desde que ele voltou.

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