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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 6

Cássio Ravelli

Algumas horas antes

Ela podia ter deixado o quarto de Aelyn, mas a sensação era de que ainda estava ali, grudada no ar, como se a presença dela tivesse ficado presa nas paredes. Inquietante. Incômoda. Invasiva.

Quase como se estivesse à espreita, pronta para voltar e me desafiar de novo.

Branca realmente acreditava que eu ia engolir aquela história de que não sabia quem eu era? Meu nome circulava todos os dias em manchetes nacionais, redes sociais, fóruns jurídicos. Era impossível não esbarrar nele. Ela teria que viver embaixo de uma pedra para não saber.

No bar, aquela postura dela tinha me intrigado. Hoje, a mesma postura só acendia minha raiva.

Como se ela acreditasse que sabia mais da minha filha do que eu. Como se tivesse alguma autoridade para entrar na vida da Aelyn daquele jeito.

Olhei para minha menina. Ela dormia tranquila, respirando como não fazia desde o primeiro dia de internação. Tudo porque aquela mulher cantou para ela. Segurou ela. Acalmou ela como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Como se ocupasse um lugar que nunca pertenceu a ninguém.

Era ridículo eu ainda estar irritado, ter perdido o controle na frente dela. Ridículo ela ter me encarado sem desviar, como se eu não fosse quem eu sou.

E talvez o mais irritante fosse isso: Branca não tinha medo de mim.

"Mas eu vou ensiná-la a ter."

Peguei o celular. Digitei poucas palavras.

'Você sabe o que fazer. Demita ela agora.'

Enviei.

Clara me devia muito. Desde a época em que o marido dela, meu funcionário, adoeceu e fui eu quem arcou com toda a medicação necessária. Cheguei tarde demais para salvá-lo, mas não tarde demais para assumir a dívida que ela carregava desde então.

E eu sempre cobro o que me devem.

Guardei o celular no bolso e voltei a olhar para minha filha, tentando recuperar o equilíbrio que agora eu poderia ter. Com um coração novo eu não precisava mais me preocupar em perder minha menina. Agora ela estava bem.

Alguns minutos depois, Aelyn abriu os olhos. Ainda estava fraca, mas reagiu ao notar que Branca não estava ali.

"Papai..." Ela murchou. "Cadê a tia Branca?"

Meu maxilar travou.

"Ela já foi, filha. E não vai voltar.

Os olhos dela encheram na mesma hora. E as lágrimas começaram a cair sem grande esforço.

"Papai... não! Eu quero ela! Só ela acalma meu coração... Ele dói sem ela. Traz ela pra mim, papai."

As palavras dela ficaram na minha cabeça como um soco.

6. Você me deve 1

6. Você me deve 2

6. Você me deve 3

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