Branca Oliveira
"Demitida?" Minha voz saiu rasgada, como se tivesse presa em minha garganta. "Clara, eu só estava fazendo o meu trabalho. Ele me ofendeu, me tirou do quarto à força, me acusou de..."
"Branca..." Ela ergueu as mãos, pedindo calma. O rosto dela estava pálido. "Eu sei. Eu sei de tudo. Mas não tem o que fazer. Todos vimos as câmeras."
"Como assim não tem?" tentei manter a compostura, mas senti a raiva subir com o desespero. "Você me conhece. Sabe que eu jamais faria mal a uma criança."
"Eu sei." Ela engoliu seco. "Mas vários médicos e enfermeiros registraram que vocês dois estavam aos berros. Disseram que a menina entrou em crise por causa do tumulto. Disseram que você foi a culpada."
Eu senti a pancada como se Clara tivesse me dado um tapa.
"Culpada?" Sussurrei, sentindo a garganta queimar.
"Você foi considerada corresponsável pelo desgaste emocional da paciente. E...", ela respirou fundo, como quem está prestes a machucar ainda mais, "você tem que sair imediatamente daqui."
Meu coração afundou.
"Clara, isso é injusto, eu não fiz nada. Só acalmei a menina, só fiz o trabalho que me pediu. Aquele homem é que deveria ser investigado. Eu como assistente social deveria denunciá-lo, quem garante que aquela menina está em boas mãos?"
"Por favor Branca, não dificulte as coisas. Não temos mais o que fazer. Talvez seja bom você se afastar desse lugar por um tempo, ainda mais depois de tudo que tem passado. Se quiser posso te indicar um emprego." olhei nos olhos dela, e ela parecia nervosa.
"Que emprego? Eu quero ficar aqui..." falei com um fio de esperança na voz.
"Um conhecido meu precisa de uma babá para a filha dele. Ela perdeu a mãe quando nasceu, e como você acabou de perder seu filho... eu achei..."
"ESTÁ FICANDO LOUCA, CLARA? QUE MERDA É ESSA QUE ESTÁ ME DIZENDO? COMO PODE ACHAR QUE EU VOU SUBSTITUIR MEU FILHO?!"
"Branca se acalme, eu não quis te ofender, foi só uma ideia. Seria bom para você e para a criança. Mas agora vendo seu total descontrole, só posso concordar com os médicos. É melhor você se afastar. Vou mandar uma carta para o conselho e pedir para te afastar por enquanto, até você começar a terapia e..."
"Você não pode fazer isso... você está acabando com a minha vida. Não é por que tive um problema com aquele homem que não posso mais exercer minha profissão, Clara. Não faça isso."



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