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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 996

Florença tomou apenas uma tigela de canja leve.

— Você ainda está de dieta? — questionou Carnelo.

Florença percebeu o que ele estava insinuando e respondeu com frieza:

— Não gosto de comer muito de manhã.

— Também não vi você comer quase nada no almoço.

Florença continuou comendo, evitando cruzar os olhos com ele. Ultimamente, estava evitando ao máximo carnes ou qualquer alimento com odores fortes; a essa altura, nem sequer conseguia chegar perto de um ovo.

E, agora que ele estava ali, precisava redobrar a atenção para não acabar tendo enjoos matinais na sua frente. Por isso, limitava-se a comer arroz e verduras, com o mínimo possível de proteína animal.

— O clima tem estado quente ultimamente, não consigo comer muito. — Ela finalmente olhou para o homem, disfarçando com naturalidade. — Diferente de você, não fico internada a cada três dias. É melhor cuidar da sua saúde, senão vai acabar não dando mais conta do recado.

Os olhos escuros do homem ganharam um brilho malicioso.

— Em que sentido, exatamente, eu não daria mais conta?

Ao ouvir isso.

Florença paralisou por um segundo antes de disparar:

— Fale menos e coma mais.

Carnelo parecia ter achado graça na situação.

— Se você não for específica, como vou saber o remédio certo para tomar?

Florença fechou a cara.

— Você vai comer ou não?

— Eu posso muito bem comer e ouvir a sua resposta ao mesmo tempo.

Florença foi categórica:

— Eu não quero responder.

Carnelo olhou para a filha.

— Katharine, sua mãe não quer responder a pergunta do papai.

Florença perdeu a paciência em silêncio.

Katharine obviamente não tinha ideia do duplo sentido daquela conversa, mas instintivamente tomou o partido da mãe.

— Se o papai perguntar direito, a mamãe vai responder.

Carnelo ergueu os olhos para o rosto emburrado da mulher e disse com um sorriso debochado:

— Tudo bem, o papai pergunta direito mais tarde.

Finalmente, o homem deu uma trégua.

Após o café da manhã.

Florença recolheu a louça suja.

A manhã inteira se arrastou.

— Como eu vou te ajudar a ir ao banheiro?

— Qual o problema? Eu não vou te morder.

— Prefiro chamar alguém.

— Deixa para lá, não quero mais.

Ele desviou o olhar para o outro lado, ignorando-a.

Florença cerrou os punhos, sua respiração pesando de irritação. Aquele desgraçado estava ficando cada vez mais manhoso e mimado.

Sentada na cadeira, Katharine olhava de um para o outro, confusa com aquela nova troca de farpas.

— Mamãe, se o papai não for ao banheiro e fizer xixi na cama, todo mundo vai rir dele.

Florença estava com muita vontade de deixá-lo mijar na cama.

Apesar disso, acabou cedendo. Aproximou-se, retirou a bolsa de soro do suporte e a segurou no alto. No entanto, o homem continuava deitado, imóvel.

— Preciso estender um tapete vermelho para você levantar?

— Não é para tanto.

Carnelo saiu da cama, mantendo o braço com a agulha erguido. Olhou para a mulher, que estava propositalmente mantendo distância.

— Não vai me dar uma mãozinha?

Florença fuzilou-o com o olhar, uma expressão clara de que a sua paciência estava no limite.

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