Do lado de fora do quarto do hospital, Karina e Gisele estavam ajoelhadas, enquanto Pietro, furioso, observava a cena.
Um copo que estava sobre a mesa foi arremessado ao chão, seus cacos se espalhando por todo o lugar.
Apesar de não ter gritado, sua voz transbordava autoridade:
— Você quer me matar de raiva, sua ingrata?
— Pai, eu sei que Gisele errou, mas isso é porque a mimamos demais quando ela era pequena, estragando seu temperamento. No fim, a culpa também é minha, como irmão. Deixe-me mandá-la para o exterior. Afinal, somos irmãos. Devo, ao menos, ajudá-la a encontrar um marido decente para confiar seu futuro...
Na porta, Gisele chorava, visivelmente abalada.
— Papai, eu sei que errei... Irmão, não quero ir para o exterior...
Karina também chorava, suplicando por perdão:
— Pietro, por favor, pense em tudo o que fiz por você, em como cuidei da nossa família Henriques com dedicação. Será que não pode perdoar Gisele dessa vez? Prometo que vou discipliná-la adequadamente. Se ela tiver que ir para o exterior, que seja então!
A entrada do quarto de hospital de luxo estava um verdadeiro caos, parecendo mais um mercado em plena confusão.
Bruno, sem opções, suspirou:
— Pai...
— Cale-se! — Gritou Pietro, respirando com dificuldade, seu peito subindo e descendo com a fúria. — Nossa família Henriques pode até usar alguns truques no mundo dos negócios, mas nós temos caráter. Banquei seus estudos e isso é o que você aprendeu? Olhe o que ela fez! Já é muito eu ter impedido que ela fosse presa. E você ainda ousa interceder por ela! Se quer me ver morto mais cedo, continue falando!
...
Eu não queria assistir a esse espetáculo por mais tempo. O embate entre pai e filho dizia respeito apenas a eles. Tanto eu quanto Karina e Gisele éramos apenas espectadores, sem espaço para interferir.
Ver o homem que eu amava há tantos anos naquele estado, tão devastado, era insuportável para mim. Dizer que eu não me sentia mal seria uma mentira. Mas, ao me compadecer dele, quem poderia se compadecer de mim?
Bruno... como poderia querer tudo ao mesmo tempo?
Com um toque nos lábios feridos, dei meia-volta, desapontada.
Foi nesse momento que Gisele, com seu olhar atento, me viu prestes a sair. Como um furacão, ela correu em minha direção e, segurando minha mão, se ajoelhou diante de mim.
— Ana, eu errei. Não quero me separar do meu irmão. Por favor, imploro, peça perdão por mim para o papai. Ele gosta tanto de você...
— Se você escolheu fazer o que fez, então precisa ter a coragem de arcar com todas as consequências!
— É mesmo? — Seu olhar mudou de repente, e um sorriso maligno se formou em seus lábios enquanto, em um sussurro que só nós duas pudemos ouvir, ela disse. — Nesse caso, Ana... Por que você não morre?

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