Quando finalmente terminamos de lidar com os jornalistas, Bruno me levou para os bastidores.
Gisele nos viu entrando de braços dados e ficou extremamente surpresa. Seu rostinho delicado quase transbordava de espanto, com os olhos arregalados.
Ela elevou a voz em um tom quase estridente:
— Irmão! Como a Ana veio parar aqui?!
A reação de Gisele era um tanto cômica.
Aquela que ontem se vangloriava para mim agora parecia desanimada.
Eu ergui levemente o queixo e, com um tom sereno, expliquei:
— Esta situação também me afeta, e depois de conversar com o seu irmão, decidimos que seria uma boa oportunidade para eu esclarecer algumas coisas também. Inclusive, posso aproveitar para falar sobre o processo que movi para Ursula e o marido dela.
— Desculpe, Gisele, foi uma decisão de última hora. — Sorri gentilmente para ela. — Gisele, você não vai se importar, certo? Mas não se preocupe, o foco hoje será todo em você. Nada disso vai te atrapalhar.
Gisele deu uma pisada forte no chão e, balançando o corpo, correu para o lado de Bruno, implorando em tom de súplica:
— Irmão, como você pôde fazer isso!
Bruno, no entanto, parecia estar de excelente humor. E não era para menos: sua esposa estava grávida, e ela havia decidido manter uma boa relação com sua meia-irmã. O ambiente familiar finalmente parecia encontrar a paz, e ele não poderia estar mais satisfeito.
Mesmo com Gisele quase perdendo a compostura, ele só conseguia achar a atitude dela adorável, como se visse sua irmãzinha fazendo charme.
Eu observava tudo, e com um sorriso tranquilo, agi como a cunahda atenciosa, deixando meus olhos se fecharem levemente enquanto sorria.
Bruno afagou suavemente a cabeça de Gisele, tentando acalmá-la:
— Não seja teimosa, Ana vai ficar aqui com você para se maquiar. Daqui a pouco, você será a princesa mais linda em frente às câmeras!
Cuidadosamente, ajeitei a gravata de Bruno e, em um tom baixo, falei:
— Vá terminar suas tarefas, eu fico aqui com a Gisele. Daqui a pouco, revisamos as perguntas da coletiva para não corrermos o risco de errar.
— Entendi!
Agarrei a mão de Bruno de maneira carinhosa e tentei acalmá-lo:
— Gisele vai o exterior em breve, não precisa pegar pesado com ela. Não me custa ceder um pouco.
Por dentro, senti como se fosse uma mentirosa astuta, e soltei uma risada fria, abafada em meu coração.
Gisele iria embora? Ótimo. Contanto que ela pagasse tudo o que me devia.
Assim que Bruno saiu, Gisele não se deu mais ao trabalho de fingir. Ela me olhou com ódio nos olhos, como se estivesse pronta para explodir.
— Ana, o que você disse ao meu irmão? Como conseguiu deixá-lo tão submisso a você em apenas uma noite? Hoje é a minha coletiva de imprensa! Por que está se intrometendo?
Sentei-me calmamente em frente a uma penteadeira, enquanto um estilista se aproximava para ajeitar meu cabelo. Observei Gisele através do espelho; seu rosto estava quase vermelho de raiva.
— Gisele, você está nervosa a ponto de começar a delirar? Ele é o meu marido. Se ele não escutar a mim, vai escutar quem?

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