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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 3

Xica raramente via Inês interessada em algo que não fosse pesquisa ou o próprio marido, então desandou a falar sobre as regras ocultas de "venda casada" das marcas de luxo para conseguir comprar as bolsas exclusivas.

Inês ouvia distraída, a mente tomada pelo fato de o marido não ter voltado para casa e pelo lenço que ele tirou do bolso de manhã, sem embalagem nenhuma.-

Ela olhou novamente na direção por onde Julieta havia saído e disse, pensativa:

— A bolsa da Dra. Lima parecia bem nova.

— Claro que sim, ela comprou ontem à noite — respondeu Xica imediatamente.

Inês olhou para ela.

O Dr. Novais também perguntou:

— Como você sabe?

— Encontrei o Sr. Ximenes conversando com a Dra. Lima na hora do almoço. O Sr. Ximenes também notou a bolsa e pediu para a Dra. Lima ter cuidado com a ostentação. Ela disse que foi um presente de um amigo dado ontem à noite e que não podia desperdiçar a gentileza dele. — Xica suspirou. — Uma bolsa de milhões... Onde estão os meus amigos assim?!

Inês murmurou a palavra "amigo". Foi exatamente o termo que Abel usou hoje de manhã.

E perguntou:

— Para comprar essa bolsa dela, o lenço entra como item obrigatório?

— Não só o lenço, é muita coisa. O lenço é só um dos muitos itens, mas claro que também dá para comprar o lenço avulso — explicou Xica.

O coração de Inês subia e descia conforme as palavras de Xica.

— Dr. Novais, não vou ao jantar hoje. Tenho um assunto de família.

Dr. Novais hesitou:

— O assunto... é grave?

Inês:

— Grave.

O céu estava prestes a desabar.

Dr. Novais a confortou:

— Sendo assim, eu falo com a Dra. Lima. Concentre-se em resolver suas questões familiares. O projeto está na reta final, não estamos tão ocupados quanto antes. Não precisa vir correndo para o Instituto todo dia como antigamente. Se houver algo importante, entraremos em contato.

— Tudo bem. — Inês colocou a máscara e saiu sozinha.

Ela não foi para casa. Pegou um táxi até o prédio da Tecno Universal e, inesperadamente, deu de cara com Abel.

Mas Abel não a viu.

Talvez porque ela estivesse de máscara, ou talvez porque havia muita gente saindo do trabalho naquele horário. Ele também estava ocupado ao telefone.

Mas eles eram casados há quatro anos...

Abel passou bem na frente dela.

Ela se virou e o seguiu. Um pouco mais perto, ouviu a conversa dele.

— Você vai ter um jantar da equipe, então não precisa que eu vá te buscar? — Abel parou de andar.

Ela parou também.

— Tudo bem. Quando terminar o jantar, me manda mensagem que eu vou te buscar. — Abel se virou e passou por Inês novamente.

Ao chegar perto da porta do elevador, o corpo de Abel travou levemente. Uma silhueta familiar passou como um vulto em sua mente.

Ele olhou para trás.

— Diretor Rocha, o senhor está procurando algo? — perguntou o assistente.

Abel balançou a cabeça. Devia ter se enganado. A essa hora, Inês deveria estar na cozinha de casa, não apareceria na frente da empresa dele.

Era sua cunhada, Mariana Rocha.

Assim que atendeu, ouviu o choro desesperado do outro lado:

— Cunhada, buaaaa... socorro...

A Família Rocha sempre a desprezou por ser órfã, especialmente depois que a carreira de Abel decolou. Todos achavam que ela e Abel não combinavam.

A cunhada Mariana, então, a chamava pelo nome e vivia lhe dando ordens.

Só a chamava de "cunhada" a contragosto quando arrumava alguma confusão que não tinha coragem de contar para o irmão.

— O que aconteceu dessa vez? — perguntou Inês, com voz neutra.

Mariana havia batido o carro e atropelado alguém. A outra parte exigia indenização e o pagamento das despesas cirúrgicas. Ela própria também não estava bem, deitada numa cama de hospital.

Ao telefone, Mariana implorou mil vezes para que ela não contasse à família.

Inês concordou e correu para o hospital.

— Por que você demorou tanto?! Estou morrendo de dor aqui! Que lerdeza, parece uma tartaruga.

Chegou com boa vontade, mas foi recebida com uma enxurrada de reclamações. Inês perdeu o controle da expressão por um momento e olhou para a cunhada com um olhar frio e sombrio.

Mariana travou.

Inês, que sempre fora submissa a tudo o que a família dizia, tinha mudado? Como ousava olhá-la daquele jeito?

— Está me olhando feio por quê? Acredita que eu conto pro meu irmão que você está me maltratando?

Ao lembrar que tinha as costas quentes com o irmão, Mariana recuperou a arrogância.

Quem convivia com eles sabia que Inês amava o irmão dela mais que a própria vida, fazia tudo por ele e engolia qualquer sapo.

— Se não quiser que eu conte pro meu irmão... — Mariana piscou e, de repente, sorriu com uma cara de anjo. — Cunhada, estou morrendo de fome. Quero aquele caldo de garoupa especial. Vai lá comprar para mim, vai?

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