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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 4

Um caldo que custava dois mil e precisava de reserva antecipada.

Antigamente, era ela quem tirava do próprio bolso para comprar para Mariana. Dessa vez, ela não queria.-

O dinheiro que ela economizou para Abel durante todos esses anos foi parar no bolso de Julieta.

Seu coração esfriou mais um pouco.

— Você pode contar para ele agora mesmo.

Inês virou as costas indiferente e saiu para pedir à enfermeira que ligasse para Abel.

A família da vítima também estava fazendo um escândalo. Se fosse antigamente, ela teria ido lá acalmar e resolver a situação.

Dessa vez, ela não moveu um dedo. Ficou parada como uma espectadora, com o olhar distante e frio, até que os sogros chegaram apressados.

Ao saberem que eram os pais da motorista, os familiares da vítima cercaram o casal exigindo explicações e indenização.

Os dois, vestidos com elegância, tentavam afastar aquelas pessoas com nojo, enquanto esticavam o pescoço procurando pela filha. Ao verem a nora Inês, lançaram-lhe um olhar fulminante e abriram a boca para mandar que ela dispensasse a família da vítima.

Percebendo a intenção deles, Inês se adiantou:

— Pai, mãe, vou levar vocês até a Mariana. — E virando-se para os familiares da vítima, disse: — Por favor, fiquem tranquilos. O irmão da Mariana é o Diretor Rocha da Tecno Universal, muito conhecido. Ele jamais fugiria da responsabilidade. Assumiremos o que tiver que ser assumido.

Sua fala foi sincera, e os ânimos do outro lado se acalmaram um pouco.

Mas o irmão da vítima pegou a parte importante:

— Tecno Universal, né? Se vocês tentarem fugir, não nos culpem se formos lá fazer barulho!

Os pais de Abel, Geraldo Rocha e Branca Rocha Martins, ficaram furiosos com Inês por ter revelado a empresa e o cargo do filho. Já tinham tentado impedir antes, e agora, ouvindo que aquele bando de gente simples poderia ir incomodar o filho, fuzilaram Inês com os olhos.

Assim que os reclamantes saíram, Geraldo ironizou friamente:

— Nunca vi você ser tão eloquente antes.

Branca ajeitou a estola e disparou:

— Inês, você é uma beleza mesmo. Dinheiro, não ganha, filhos, não consegue ter. Nem da sua cunhada você cuida direito. Se ela ficar com o rosto marcado ou com algum problema na perna, como vai aparecer em público? Como vai se casar? E agora há pouco ainda queria arrastar seu marido para a lama. É assim que se age como esposa?

— Simplesmente estúpida e perversa!

— Perversa?

Desde que se casou com Abel, a responsabilidade de cuidar de Mariana caiu sobre ela. Se Mariana arranhasse a pele, os sogros a xingavam.

Ela trabalhou duro e sem reclamar por quatro anos. Não ganhou respeito, e sim a alcunha de perversa?

Inês cerrou os punhos, com vontade de rir de escárnio.

— A Mariana é responsabilidade de vocês, é responsabilidade do Abel. Só não é minha.

A pessoa que sempre aceitava as críticas calada, de repente respondeu. Geraldo e Branca ficaram atônitos por um instante, mas logo a raiva aumentou.

Eles eram os mais velhos, como Inês ousava desacatálos?

— Enquanto você estiver com meu filho, os assuntos da Família Rocha são seus assuntos! — Geraldo gritou com sua voz potente. — Está parada aí fazendo o quê? Vá logo pegar o dinheiro para pagar essa gente. Se o assunto crescer, vai afetar o futuro do Abel!

Inês parou, e os olhares se cruzaram.

A expressão de Abel também congelou levemente. Em seguida, caminhou até elas e perguntou friamente o que estavam fazendo ali reunidos.

Ao lado, Branca reconheceu Julieta imediatamente. A postura agressiva de antes se transformou em amabilidade instantânea. Pegou na mão dela e não parava de puxar assunto.

— Julieta, querida! Há quanto tempo! Como foi a vida no exterior? A comida lá não é boa, né? Olha só, você emagreceu, mas continua linda.

— Tia, a senhora continua jovem e cheia de vida, sua pele está ótima. — Julieta elogiou e depois fez uma cara de desculpas. — Ouvi pelo telefone que a Mariana sofreu um acidente e vim correndo, não tive tempo de trazer um presente para os senhores. Posso visitá-los em casa na próxima vez?

— Claro que sim! — Branca adorou a ideia.

Julieta sorriu e, de repente, se aproximou de Inês:

— Abel, não vai me apresentar?

O olhar de Abel suavizou:

— Julieta, esta é minha... esposa, Inês.

— Esta é uma amiga da faculdade, Julieta. Você pode chamá-la de Sra. Lima. A Julieta é uma mulher extremamente competente.

— A Sra. Rocha também se chama Inês?

Julieta curvou os lábios vermelhos, medindo a mulher à sua frente de cima a baixo, com um desprezo mal disfarçado nos olhos.

— Até que é uma coincidência. Num projeto que eu lidero, também tem uma pessoa chamada Inês.

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