O Sr. Azevedo estava no meio da noite, aninhado nos braços de uma mulher encantadora, quando recebeu uma ligação inesperada do hospital informando que Abel havia sido internado com espasmos gástricos.
Ele sabia o quão graves eram os problemas estomacais de Abel. No passado, úlceras perfuradas e hemorragias gástricas eram frequentes. Inês havia assumido pessoalmente o controle das três refeições diárias de Abel, cuidando da dieta dele com perfeição. O estômago dele não estava curado? Como diabos ele teve um espasmo gástrico?
E onde estava a Inês?
Geralmente, esse tipo de ligação ia primeiro para Inês, depois para a Família Rocha, e só em último caso para ele, o amigo.
O fato de terem ligado diretamente para ele indicava que algo estava muito errado.
Alex Azevedo afastou a mulher de seus braços e correu às pressas para o hospital. Encontrou Abel deitado no leito, mortalmente pálido e inconsciente.
Ele passou a noite inteira no hospital correndo de um lado para o outro: pegando laudos, buscando medicamentos e vigiando o soro. Foi só ao raiar do dia que ele se recostou numa cadeira e finalmente adormeceu, apoiando a cabeça na mão.
Parecia ter fechado os olhos por apenas alguns minutos quando foi despertado por um toque de celular.
Alex tateou em busca do seu próprio aparelho e notou que não era o seu que estava tocando. Ao olhar para o paletó largado sobre a mesa de cabeceira, percebeu que era o telefone de Abel.
Ele se aproximou e viu o nome "Julieta" piscando na tela.
Alex atendeu.
— Alô, Julieta.
— Alex? Você está com o Abel? Ele está no hospital?
Alex olhou para o amigo que ainda dormia, beliscou a ponte do próprio nariz e respondeu com um bocejo prolongado: — Sim, espasmo gástrico. Ele está desacordado desde ontem à noite.
— Em qual hospital? Estou indo para aí agora.
— No Hospital Coração Sereno. Me manda uma mensagem quando estiver chegando que eu desço para te buscar. — O Hospital Coração Sereno era uma instituição privada com normas de visitação rigorosas.
Assim que Alex desligou o telefone, Abel acordou. Forçando-se contra o mal-estar físico, ele chamou pelo amigo.
— Abel, finalmente acordou! O que aconteceu com você? Encheu a cara?

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