Enfim, ele estava ali, plantado na porta, na mais pura cara de pau.
Contudo, Rodrigo não tinha visto essa última mensagem. Ele já estava na sala de reuniões. Antes do início oficial, precisava revisar os relatórios dos funcionários para ter uma visão clara dos prós e contras de cada projeto.
Ao término da reunião, Rodrigo viu as mensagens e perguntou qual era a situação atual com Abel. Ao descobrir que Inês havia provocado tanta raiva no ex-marido a ponto de lhe causar um espasmo gástrico e mandá-lo para o hospital, um leve sorriso despontou em seu rosto gélido.
Finalmente, seu olhar pousou na última mensagem da Sra. Silveira: [A Sra. Jardim estava distraída agora há pouco. Quando perguntei no que ela estava pensando, ela disse o seu nome, patrãozinho. A Sra. Jardim está pensando em você.]
Rodrigo respondeu: [Conte-me os detalhes.]
Sra. Silveira digitando...
Rodrigo: [Deixa pra lá.]
Ele sabia que Inês jamais admitiria algo assim e, mesmo que tivesse falado, certamente não era no sentido romântico que todos imaginavam. Era melhor não ouvir a explicação e poupar-se da desilusão.
A Sra. Silveira enviou lentamente um ponto de interrogação.
Rodrigo: [Enfim, estou com fome.]
Sra. Silveira: "???"
Ah!!!
A Sra. Silveira levantou a cabeça do celular e disse: — Sra. Jardim, acabei de perguntar se o patrãozinho estava com fome. Ele disse que sim e perguntou se pode vir comer um lanche da noite.
Inês lembrou-se de que Rodrigo havia almoçado com ela, mas provavelmente não havia jantado. Era natural que estivesse com fome.
— Ainda sobrou alguma coisa? Ou eu posso separar uma porção da minha comida, já que ainda não mexi. — Inês olhou para os três pratos de vegetais, um de carne, a sopeira e a enorme tigela de macarrão de arroz à sua frente. Aquilo era suficiente para umas três refeições.
Por mais que a Sra. Silveira jurasse que era pouco, Inês sentia-se sendo engordada para o abate.
A Sra. Silveira ia dizer que podia preparar algo fresco, mas se a Sra. Jardim se dispunha a dividir sua própria refeição com o patrãozinho, é claro que a segunda opção era muito melhor!
— Então vou pegar os pratos!
Inês soltou o garfo e esperou que a Sra. Silveira trouxesse as louças. Só depois de dividir cuidadosamente a comida pela metade é que ela começou a comer, sem pressa.
Quando Rodrigo chegou à casa número 9 da Mansão Serra Sul, Inês já havia subido para descansar. Ele assistiu à Sra. Silveira esquentar o lanche e servi-lo à mesa.
— Patrãozinho, esta é a metade que a Sra. Jardim separou da própria refeição dela.
Rodrigo lembrou-se repentinamente de seu pai. Sempre que sua mãe colocava um pedaço de chocolate na boca, o pai exigia que ela guardasse a metade para ele.

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