Logo de manhã cedo, Inês ouviu Didi e Mumu latindo.
— Digam para a Inês vir me ver. — Apesar dos latidos, Geraldo permaneceu de pé na porta, com uma postura ereta, dizendo aos seguranças com aparente calma.
Ele mantinha uma pose arrogante e imponente.
Os seguranças, é claro, não iriam transmitir o recado. A missão deles era simples: não deixar que ninguém da Família Rocha passasse pelos portões da Mansão Nove.
Atraída pelo barulho, a Sra. Silveira saiu. Assim que viu o rosto de Geraldo, soube que era o pai biológico de Abel; os dois eram muito parecidos.
— Isso não tem fim! Por acaso o pessoal da Família Rocha descende de sanguessugas? Quando a Sra. Jardim era nora na sua casa, todos vocês a tratavam como empregada. Agora que ela foi embora, o seu filhinho faz greve de fome e vocês esperam que ela volte para servi-lo? Sugar o sangue alheio até esse ponto... a consciência de vocês não pesa, não?! — A Sra. Silveira saiu enfurecida e começou a esbravejar.
— Ah, é verdade... eu me esqueci de que ninguém na Família Rocha tem consciência.
— Você é só uma babá, uma servente que serve chá e água. Não sei de onde tirou toda essa arrogância — Geraldo a encarou com desdém.
— Servir chá e água não é vergonha para ninguém. Vergonhoso é ter a sua idade e ainda usar a profissão dos outros para tentar humilhá-los. — A Sra. Silveira retribuiu o olhar de repulsa. — Tal pai, tal filho. Você não presta, assim como o seu filho, e ainda acha que pode exigir que a Sra. Jardim venha vê-lo? Faça-me o favor!
— Tantas pessoas que querem ver a nossa Sra. Jardim precisam ir pessoalmente procurá-la. Quem você acha que é para chegar com essa pose? Acha que essa sua cara velha e desconhecida impõe respeito a alguém?
O rosto de Geraldo ficou roxo de raiva.
— Não tenho tempo para discutir com uma babá. Chame a Inês.
— Para mim você parece ter bastante tempo livre, já que veio fazer plantão aqui logo de manhã. Se quer mesmo uma vaga de segurança, deveria ir falar com a administração do condomínio.
Quando Inês saiu, chegou bem a tempo de ver o rosto de Geraldo alternar entre o pálido e o vermelho de tanta indignação causada pela Sra. Silveira.
— Sra. Silveira, peça aos seguranças para expulsarem ele.
— Entendido! — A Sra. Silveira fez sinal de imediato para que os seguranças o arrastassem para longe.
— Inês! Eu ainda sou o seu mais velho! Onde foi parar todo o seu respeito pelos mais velhos? Você agora é uma figura pública respeitada. Não tem medo de que agir assim afete diretamente o seu projeto com o Grupo Simões? — Antes mesmo que as mãos dos seguranças o tocassem, Geraldo esbravejou.

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