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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 395

Logo de manhã cedo, Inês ouviu Didi e Mumu latindo.

— Digam para a Inês vir me ver. — Apesar dos latidos, Geraldo permaneceu de pé na porta, com uma postura ereta, dizendo aos seguranças com aparente calma.

Ele mantinha uma pose arrogante e imponente.

Os seguranças, é claro, não iriam transmitir o recado. A missão deles era simples: não deixar que ninguém da Família Rocha passasse pelos portões da Mansão Nove.

Atraída pelo barulho, a Sra. Silveira saiu. Assim que viu o rosto de Geraldo, soube que era o pai biológico de Abel; os dois eram muito parecidos.

— Isso não tem fim! Por acaso o pessoal da Família Rocha descende de sanguessugas? Quando a Sra. Jardim era nora na sua casa, todos vocês a tratavam como empregada. Agora que ela foi embora, o seu filhinho faz greve de fome e vocês esperam que ela volte para servi-lo? Sugar o sangue alheio até esse ponto... a consciência de vocês não pesa, não?! — A Sra. Silveira saiu enfurecida e começou a esbravejar.

— Ah, é verdade... eu me esqueci de que ninguém na Família Rocha tem consciência.

— Você é só uma babá, uma servente que serve chá e água. Não sei de onde tirou toda essa arrogância — Geraldo a encarou com desdém.

— Servir chá e água não é vergonha para ninguém. Vergonhoso é ter a sua idade e ainda usar a profissão dos outros para tentar humilhá-los. — A Sra. Silveira retribuiu o olhar de repulsa. — Tal pai, tal filho. Você não presta, assim como o seu filho, e ainda acha que pode exigir que a Sra. Jardim venha vê-lo? Faça-me o favor!

— Tantas pessoas que querem ver a nossa Sra. Jardim precisam ir pessoalmente procurá-la. Quem você acha que é para chegar com essa pose? Acha que essa sua cara velha e desconhecida impõe respeito a alguém?

O rosto de Geraldo ficou roxo de raiva.

— Não tenho tempo para discutir com uma babá. Chame a Inês.

— Para mim você parece ter bastante tempo livre, já que veio fazer plantão aqui logo de manhã. Se quer mesmo uma vaga de segurança, deveria ir falar com a administração do condomínio.

Quando Inês saiu, chegou bem a tempo de ver o rosto de Geraldo alternar entre o pálido e o vermelho de tanta indignação causada pela Sra. Silveira.

— Sra. Silveira, peça aos seguranças para expulsarem ele.

— Entendido! — A Sra. Silveira fez sinal de imediato para que os seguranças o arrastassem para longe.

— Inês! Eu ainda sou o seu mais velho! Onde foi parar todo o seu respeito pelos mais velhos? Você agora é uma figura pública respeitada. Não tem medo de que agir assim afete diretamente o seu projeto com o Grupo Simões? — Antes mesmo que as mãos dos seguranças o tocassem, Geraldo esbravejou.

— Você foi esposa de Abel por quatro anos... Como consegue ser tão implacável? Ele não consegue deixá-la ir, e eu não acredito que você consiga deixá-lo tão facilmente. — Ele decidiu apelar para a emoção.

No começo, Inês de fato não conseguira se desapegar.

Ela se agarrava àquele afeto tão difícil de conquistar. Era um amor diferente do amor maternal da diretora do orfanato, de seus professores ou de Dona Cláudia; eram os sentimentos românticos de sua juventude que finalmente haviam desabrochado.

Ela não queria abrir mão do "lar" que havia conquistado com tanto esforço. Com uma família, ela finalmente se sentia completa.

O ser humano é, por natureza, um ser inacabado e, por isso, vive obcecado com a busca pela própria plenitude.

Essa obsessão também é uma forma de remendar os pedaços quebrados de sua própria alma.

Quando criança, Inês remendava suas roupas; depois de adulta, passou a remendar sua vida.

Mas quando o enorme buraco causado pela traição de Abel se escancarou diante de seus olhos, tornando-se cada vez mais nítido, ela subitamente percebeu que, em vez de continuar remendando, era melhor jogar tudo fora.

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