Inês guardou o celular.
Às sete e dez chegaram ao destino; Abel esperava Inês na entrada do hotel.
A Sno Semiconductores era uma empresa estrangeira. Os eventos corporativos internacionais não eram como os banquetes tradicionais cheios de pratos quentes e rodadas de brindes sucessivos; tratavam-se mais de coquetéis voltados para um networking leve. A socialização era o prato principal, a comida um mero acompanhamento, e a bebida, um adorno.
Hoje acontecia um coquetel íntimo.
Ao ver Inês descer do carro, Abel notou que ela vestia roupas casuais: um casaco curto de pelúcia em tom off-white e uma calça jeans pantalona azul-escura de cintura alta.
Inês tinha proporções excelentes. Se vestisse aquilo no dia a dia, seria elogiada por seu bom gosto, mas tratava-se de um evento corporativo.
Abel franziu levemente a testa, mas acabou não dizendo nada.
O simples fato de Inês ter aceitado acompanhá-lo já era bom o bastante.
Noel foi estacionar o carro. Como Esther acompanhava Inês, Abel perguntou à ex-esposa, insatisfeito:
— Ela também vai?
— Eu sou a assistente da Dra. Jardim. — respondeu Esther.
Abel olhou para ela, com os olhos gritando que aquilo era mentira.
Como se o compreendesse, Esther retribuiu com um sorriso.
É verdade que ela não era a assistente da Dra. Jardim, mas será que ele teria a audácia de contar aos outros quem ela realmente era?
Que ela era a secretária do Diretor Simões?
E por que a Dra. Jardim traria a secretária do Diretor Simões a tiracolo?
O senhor ousaria dizer isso, Diretor Rocha?
Abel não ousaria. Ele não queria que Inês levasse Esther para cima, mas a ex-esposa já puxava a garota para dentro do elevador, apressando-o:
— Se você não for, nós vamos embora.
Abel entrou no elevador a passos largos.
Antes que chegassem ao andar do evento, Abel disse:
— Nós somos marido e mulher. Você deveria segurar o meu braço.
— Nunca tivemos esse costume antes e não o teremos agora. Aja com naturalidade, Abel. — respondeu Inês.
O elevador chegou.

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