...
Cidade Alvorecer.
Julieta saiu do avião e foi direto para a residência da Família Ximenes. No entanto, os portões já não se abriam mais para ela. O mordomo e os empregados que antes a tratavam tão bem, agora a olhavam com nítida fúria.
Por mais que ela perguntasse, ninguém lhe respondia, limitando-se apenas a fechar o portão em sua cara.
Sem alternativa, Julieta foi até a casa alugada por seus pais.
Assim que destrancou a porta com a digital, viu seus pais, o tio e a tia sentados no sofá. Todos apresentavam fisionomias sombrias, um pior que o outro.
Quando Julieta achou que receberia um tapa da tia, a mão que estalou no seu rosto foi a do tio.
— Julieta, a Família Ximenes deve ter sido amaldiçoada por oito gerações para acabar esbarrando em você!
O tio era um homem grande e a força do golpe foi tremenda. Ela apenas sentiu um zumbido agudo nos ouvidos, uma dor aguda no maxilar, e o gosto metálico de sangue se espalhou por sua boca.
Sentados no sofá, os pais não apenas se abstiveram de consolá-la, mas também a observaram com uma frieza cortante.
— E você ainda tem a coragem de voltar. — A tia se levantou. Ela não lhe bateu, mas seu olhar era tão perfurante quanto uma faca afiada.
O que realmente feriu a alma de Julieta foi a indiferença nos olhos de seus próprios pais.
Julieta abriu a boca para chamá-los, mas percebeu que a voz simplesmente não saía. Ela apenas sentia uma dor profunda.
— Julieta, você é um verdadeiro monstro. — A tia amaldiçoou novamente. — É bom você rezar para que não aconteça nada grave com o seu avô. Porque se ele for parar atrás das grades, vou amaldiçoar os membros da Família Lima toda vez que vir um, e vou te dar uma surra toda vez que cruzar o seu caminho.
O tio e a tia foram embora.
Ainda havia muitas pendências da família aguardando por eles.
Com a porta fechada, os pais de Julieta continuaram a encará-la com o mesmo gelo no olhar.
Aquele olhar gerou em Julieta um pânico sem precedentes. Ela se aproximou apressadamente, caiu de joelhos diante deles e começou a chorar desesperadamente.
— Eu não fiz por mal! Eu não sabia que isso ia acontecer! Foi a Inês quem o denunciou! É a Inês querendo se vingar de mim e do vovô!
A voz da mãe de Julieta soou fraca.



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