Abel respondeu secamente.
— O que aconteceu com a criança foi culpa minha.
Alex ficou sem palavras. Deixou para lá, não queria insistir naquele assunto.
— Eu vou colocar alguém para monitorar a Julieta para você. A propósito, ouvi dizer que você está muito ocupado ultimamente. Está com tanto trabalho assim?
Abel, que também não desejava alongar a conversa sobre Julieta, mudou para um tom sério e o questionou.
— Afinal de contas, quais são os seus planos para o Grupo Azevedo?
— Como assim, quais planos? — Alex demorou um pouco para entender, mas quando percebeu, ajeitou a postura e encarou os olhos de Abel. — O que você quer dizer com isso?
Abel foi direto ao ponto.
— O Grupo Azevedo precisa passar por uma modernização e reestruturação.
— E eu posso colocar você na cadeira principal.
Alex engoliu em seco. Inegavelmente, havia trazido Abel para o Grupo Azevedo em parte para oferecer uma rota de fuga ao amigo, mas também com a esperança de que ele o ajudasse. Mesmo que não conseguisse vencer o seu irmão mais velho na disputa pela sucessão familiar, pelo menos queria ter alguém de confiança dentro dos negócios da família.
— Abel, eu...
Alex hesitou por apenas meio segundo antes de perguntar diretamente.
— E o que você quer em troca?
Abel desejava erguer-se perante Inês com uma identidade inteiramente nova, e não como um mero gerente.
Afinal, Rodrigo representava um obstáculo imenso.
Embora entusiasmado, Alex não pôde evitar engolir em seco mais uma vez, ponderando intimamente: *Cara, o Grupo Azevedo peitando o Grupo Simões? Nós desafiando o Rodrigo? Não seria isso muita presunção?*
...
Julieta, por sua vez, também estava enfrentando investigações.
O dinheiro tinha sido dado pelo avô, mas sobre a origem dele, ela de fato não sabia de nada.


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