Ele sempre soube que Inês era bonita e tinha um corpo atraente, ocasionalmente, a intimidade com ela o fazia perder o controle.
Mas, sempre que pensava em ter intimidade com outra pessoa que não fosse sua amada, sentia uma culpa profunda, como se estivesse traindo a mulher de sua vida. Por isso, ele se conteve durante todos esses anos.
Porém...
Inês era sua esposa legítima, e naquela noite ela estava realmente tentadora.
Inês sabia que ele a observava, mas tinha plena consciência de que um homem que só desejava ter filhos com o seu "grande amor" do passado não teria sentimentos reais por ela.
Ela continuou agindo naturalmente na frente de Abel, pegando o secador de cabelo.
Abel permaneceu parado, seus olhos seguindo cada movimento dela.
Ela estava de costas para ele, jogando todo o cabelo comprido como uma cascata para um lado, revelando a nuca branca e delicada. O ar estava impregnado com uma fragrância úmida e envolvente.
O pomo de adão de Abel oscilou.
A cintura de Inês foi subitamente envolvida por uma mão quente.
— Eu lembro que você sempre quis um filho. — Abel desligou o secador que estava na mão dela, afastou-o e a abraçou por trás.
Inês desejava muito ter um filho com a pessoa que amava, mas, naquele momento, sentiu apenas repulsa.
— Não quero mais — disse ela em voz baixa.
Abel franziu a testa, levantou a mão e segurou delicadamente o queixo de Inês, acariciando seu pescoço. A pele macia era viciante ao toque.
O corpo dele começou a reagir.
Inês arregalou levemente os olhos, assustada.
— Você tem trabalhado e cuidado da casa ao mesmo tempo, deve estar cansada, não é? Vamos ter um filho, e depois você pode ficar tranquila em casa, sendo apenas dona de casa. O que acha?
Inês não só parara de cozinhar para ele, como também se recusava a lidar com os problemas da Família Rocha, e começara a ter ideias que ele não compreendia.
Isso não podia continuar.
Ele precisava de uma esposa dedicada para cuidar da casa, e a Família Rocha precisava de uma nora obediente.
Já que Inês queria um filho, dar um a ela não era grande coisa, e serviria para prendê-la definitivamente em casa.
De que adiantava um emprego que pagava quatro mil? Se as pessoas soubessem, seria uma vergonha para ele.
O beijo estava prestes a pousar nos lábios de Inês, mas ela virou o rosto, esquivando-se.
Abel estreitou os olhos instantaneamente:
— O que isso significa?
— Eu não quero mais. — Inês olhou fixamente para o homem no espelho, decidida.
A sensação de que a esposa estava escapando de seu controle tornou-se evidente. Por mais civilizado que Abel costumasse ser, seu rosto agora estava completamente frio. A mão que segurava o queixo de Inês apertou com força repentina.
— Por quatro anos foi você quem pediu um filho. Agora que eu estou disposto a te dar, você não quer mais? — Um pensamento terrível cruzou a mente de Abel, e seu olhar tornou-se cruel. — Você tem outro homem?
Ao ouvir isso, o coração de Inês doeu como se tivesse sido apunhalado. Ela o encarou com um olhar frio e profundo, como se dissesse: "Quem é que realmente tem outra pessoa?"
Inês se soltou dele e correu para o quarto, fechando a porta.
Quando foi que Abel recebeu um "não" de Inês?
Desde que se conheceram até o casamento, ela sempre fez o que ele dizia, do jeito que ele queria.
Esse contraste abrupto era algo que Abel não podia tolerar.
Ele a seguiu a passos largos, agarrou o braço de Inês com força, arrastando-a para dentro do quarto e empurrando-a na cama.
— Abel! O que você está fazendo?!
— Vamos ter um filho. Se eu digo que vamos, nós vamos. Inês, você nunca me recusa. Obedeça.


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