Os passos dela também hesitaram por um momento.
Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para que Rodrigo voltasse e dormisse um pouco. Ele respondeu com um Tá bom, mas quando Inês ergueu a cabeça, ele ainda continuava no mesmo lugar.
Inês não conseguia entender. Ela já tinha passado por um casamento e estava beirando os vinte e oito, vinte e nove anos, mesma idade de Rodrigo. Por que os dois estavam agindo feito adolescentes naquele momento?
Um olhando para trás o tempo todo, e o outro parado, recusando-se a ir embora.
No fim das contas, a partida era inevitável.
Antes de o avião decolar, Inês enviou uma mensagem a Rodrigo:
— Cuide bem da minha orquídea.
— Eu sei — respondeu Rodrigo.
— É bom que saiba mesmo.
Sentado no carro, Rodrigo abriu um sorriso repentino. Ela estava devolvendo a alfinetada de antes.
Após a decolagem, Inês aproveitou para pôr o sono em dia. Pousaram ainda de manhã e chegaram ao orfanato bem na hora do almoço.
Quando a Dra. Barros reviu Mike, ele já parecia outra pessoa. Seu rosto estava mais cheio, a postura mais ereta. Vestindo uma jaqueta de inverno preta e calças escuras, o garoto passava uma imagem impecável e renovada.
O olhar também havia mudado, estava muito mais vivo do que antes.
Assim que Inês apareceu, as crianças vieram correndo, tagarelando e fazendo uma roda ao redor dela.
Inês precisou primeiro guardar as malas. Assim que terminou, recebeu uma ligação da transportadora avisando que havia uma entrega para ela.
Ela tinha certeza de que não havia enviado nada, mas ao chegar à entrada, viu que o remetente era Rodrigo.
Era um caminhão inteiro de presentes de fim de ano. Cada pacote vinha com uma etiqueta indicando o nome da pessoa. Havia presentes não apenas para a Dra. Barros, mas para todas as crianças.
Inês não sabia se ria ou se chorava. Pegou o celular e tirou uma foto, enviando-a para ele.
— Rodrigo, você é muito exagerado.
O telefone tocou logo em seguida. Era Rodrigo:
— Quando for distribuído, cada um só vai receber um presente.
A Dra. Barros, ouvindo a movimentação, aproximou-se e trouxe algumas pessoas para ajudar a carregar as caixas.
Inês acabou se afastando um pouco para continuar a ligação:
— Você conseguiu dormir um pouco?
— E eu me atreveria a não dormir? — retrucou Rodrigo.
Inês deu uma risada leve:
— Já é hora do almoço.
— Vou comer na casa dos meus pais. Durante as festas, vou ficar por lá.
— E o Didi e o Mumu?
— Vou levá-los comigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...