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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 794

Enquanto Inês se acalmava gradativamente, Rodrigo começou a ficar impaciente e febril.

A reação do corpo não mentia.

Os dois trocaram olhares em silêncio.

— Voltar a ser humano depois de agir como um animal selvagem é uma tarefa muito difícil. — Rodrigo tossiu levemente para disfarçar.

Inês, já sem coragem de ouvir o que ele dizia, tratou de mudar rapidamente de assunto:

— Quando você comprou essa pomada?

— Pela manhã. Fui até a farmácia. — respondeu Rodrigo.

Aproveitando a ocasião, ele havia espantado dois mosquitos.

Logo após a aplicação, Inês tentou abaixar a bainha da camisola, mas Rodrigo pediu que esperasse mais um pouco, para que a pomada não fosse absorvida pelo tecido.

Inês ficou sentada na beirada da cama, em silêncio e um pouco aérea. A intensa noite que tivera com Rodrigo a fez esquecer, ao menos por hora, dos problemas que haviam ocorrido no dia anterior.

Claro que a iniciativa de retribuir o beijo dele na noite anterior, concordando implicitamente com o que viria em seguida, havia sido uma forma de usar os estímulos físicos para mascarar a dor que sentia.

Mas aquilo passava longe de apenas 'mascarar'.

Rodrigo praticamente havia expurgado todo o desconforto que estava em seu coração.

Inês voltou à realidade e observou Rodrigo entrando no banheiro. Quando retornou, já com a barba feita, pegou a mão dela e a levou até o próprio rosto.

— Está arranhando agora?

— Não está mais. — Inês balançou a cabeça.

Rodrigo olhou de relance para as pernas dela e notou que a pomada branca já havia sido absorvida. Inclinou-se, pegou-a no colo e decretou:

— Já podemos ir lavar o rosto.

Inês, suspensa nos braços dele, ficou surpresa:

— Eu consigo andar.

— Se você andar, o atrito vai machucar de novo. — rebateu Rodrigo.

Ele a carregou até o banheiro. Em frente à pia havia um tapete felpudo no qual Inês pousou os pés descalços.

— Afaste um pouco as pernas para não haver atrito. — Rodrigo advertiu.

Inês lançou-lhe um olhar de lado.

De quem era a culpa?

— A culpa é minha. — Rodrigo deu uma risada contida.

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