Enquanto Inês se acalmava gradativamente, Rodrigo começou a ficar impaciente e febril.
A reação do corpo não mentia.
Os dois trocaram olhares em silêncio.
— Voltar a ser humano depois de agir como um animal selvagem é uma tarefa muito difícil. — Rodrigo tossiu levemente para disfarçar.
Inês, já sem coragem de ouvir o que ele dizia, tratou de mudar rapidamente de assunto:
— Quando você comprou essa pomada?
— Pela manhã. Fui até a farmácia. — respondeu Rodrigo.
Aproveitando a ocasião, ele havia espantado dois mosquitos.
Logo após a aplicação, Inês tentou abaixar a bainha da camisola, mas Rodrigo pediu que esperasse mais um pouco, para que a pomada não fosse absorvida pelo tecido.
Inês ficou sentada na beirada da cama, em silêncio e um pouco aérea. A intensa noite que tivera com Rodrigo a fez esquecer, ao menos por hora, dos problemas que haviam ocorrido no dia anterior.
Claro que a iniciativa de retribuir o beijo dele na noite anterior, concordando implicitamente com o que viria em seguida, havia sido uma forma de usar os estímulos físicos para mascarar a dor que sentia.
Mas aquilo passava longe de apenas 'mascarar'.
Rodrigo praticamente havia expurgado todo o desconforto que estava em seu coração.
Inês voltou à realidade e observou Rodrigo entrando no banheiro. Quando retornou, já com a barba feita, pegou a mão dela e a levou até o próprio rosto.
— Está arranhando agora?
— Não está mais. — Inês balançou a cabeça.
Rodrigo olhou de relance para as pernas dela e notou que a pomada branca já havia sido absorvida. Inclinou-se, pegou-a no colo e decretou:
— Já podemos ir lavar o rosto.
Inês, suspensa nos braços dele, ficou surpresa:
— Eu consigo andar.
— Se você andar, o atrito vai machucar de novo. — rebateu Rodrigo.
Ele a carregou até o banheiro. Em frente à pia havia um tapete felpudo no qual Inês pousou os pés descalços.
— Afaste um pouco as pernas para não haver atrito. — Rodrigo advertiu.
Inês lançou-lhe um olhar de lado.
De quem era a culpa?
— A culpa é minha. — Rodrigo deu uma risada contida.
Quando Inês finalizou, Rodrigo a pegou novamente e a carregou até a beirada da cama. Ele olhou para a mala dela e questionou:
— O que você vai vestir hoje?
— Calças largas. — Inês respondeu.
Rodrigo se abaixou diante da mala:
— Posso vasculhar?
— Você já está com as mãos aí dentro. — Inês retrucou, incrédula.
Naquele instante, Rodrigo sentiu que Inês havia se tornado muito mais íntima dele. Com um leve sorriso nos lábios, encontrou uma calça bege soltinha e confortável e um suéter de gola alta, um conjunto que ele já a vira usar antes.
Após entregar as roupas nas mãos de Inês, ele se virou e saiu do quarto.
Quando Inês terminou de se trocar e apareceu na sala, Rodrigo estava organizando o café da manhã que haviam entregado. Ele a chamou para sentar e, assim que ela se acomodou à sua frente, não resistiu em curvar-se para beijar o seu rosto.
Achando que um beijo só era pouco, apertou levemente o queixo dela, forçando-a a levantar e inclinar a cabeça, selando-lhe os lábios de forma intensa.
Inês ficou sem palavras.
— Rodrigo, você...
— Não consigo me controlar. — Rodrigo adiantou-se, lendo os pensamentos dela. Após o sucesso dos seus ousados avanços na noite anterior, bastava Inês encostar nele para que o seu cérebro focasse apenas em desejar possuí-la novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...