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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 836

— Tenho. O sistema de monitoramento agrícola também está quase pronto, embora o ciclo dos robôs industriais seja um pouco mais demorado. — Inês sentou-se, precisando inclinar ainda mais a cabeça para encará-lo.

— Tenho a reunião de resultados trimestrais à tarde, mas vou deixar o lançamento engatilhado. — informou Rodrigo. — A Esther vai te levar para a prova teórica da autoescola.

— Não precisa se incomodar, a prova vai levar umas duas horas. — recusou Inês.

— Quer que eu te leve? — Rodrigo ergueu levemente a sobrancelha.

— Você pode me levar quando for a prova prática de rua, mas para a teórica e o exame de baliza, não precisa. — respondeu Inês.

Rodrigo estendeu a mão e afagou a nuca dela.

— Pelo que a Alice me contou, você a ensinou a fazer a curva em S com técnicas de corrida, não foi? Por isso ela reprovava toda vez. — comentou Inês, com um semblante tranquilo, já habituada àquela demonstração de afeto.

Rodrigo retirou a mão que repousava na nuca dela.

— Ela quem cismou em aprender assim.

— Foi ela quem cismou, ou foi você que não conseguiu se segurar ao entrar na pista? — Inês fitou-o, com ar divertido.

— ... — Rodrigo não soube o que responder.

— Você me ensina? Meu controle é razoável, não vou reprovar por causa disso. — Inês percebeu a verdade pela expressão dele e tomou a iniciativa de entrelaçar seus dedos nos dele.

— Corrida? — Rodrigo olhou para ela, surpreso.

Inês assentiu com a cabeça.

Ela adorava vê-lo nas pistas; mais do que simplesmente ser passageira de Rodrigo, preferia muito mais acelerar lado a lado com ele.

— Tudo bem. — A intenção inicial de Rodrigo era, de fato, ensinar a irmã a correr. Quem diria que Alice Simões aprenderia tudo pela metade, dominando mal as trajetórias AIO e a frenagem em trilha, acabando por reprovar sucessivamente no exame prático.

Enquanto os dois conversavam, ouviram batidas na porta.

Rodrigo e Inês ergueram o olhar naquela direção.

— Entre. — A voz grave do homem ecoou. A porta se abriu, revelando Noel ao lado de um sorridente Nelson Simões.

— A reunião trimestral é só à tarde. — observou Rodrigo, num tom impassível.

— Se não precisa mais dos olhos, você pode muito bem doá-los. — A voz gélida de Rodrigo pesou sobre o ambiente.

— Vim mais cedo apenas para dar uma volta pela sede. Não vou mais atrapalhar o meu irmão e a Sra. Jardim. — Nelson sentiu um leve sobressalto no peito, mas manteve o sorriso intacto, fingindo não ter escutado a ameaça.

Inês achou a aura daquele homem uma mistura estranha: ele possuía tanto o ar libertino e despreocupado de Alex quanto o sorriso astuto de raposa de Noel. Em suma, era alguém com quem preferia não ter nenhum contato, se possível.

— Está olhando para quem? — Rodrigo segurou o queixo de Inês, forçando-a a virar o rosto e erguer os olhos para ele.

— Agora estou olhando para você. — Inês piscou, inocente.

— Quanta lábia. — resmungou Rodrigo, num tom suave.

Inês o encarou, levemente atônita, como um grande ponto de interrogação.

Isso sequer podia ser considerado lábia?

Para Rodrigo, qualquer coisa capaz de lhe encher o coração de alegria enquadrava-se perfeitamente nessa definição.

Do lado de fora do escritório, Nelson hesitou por um segundo. Olhou para trás, encarando a porta fechada, enquanto um brilho sagaz perpassava seu olhar. No fundo, sentia uma genuína curiosidade: seria Inês realmente tão importante para Rodrigo quanto os rumores lá fora alegavam?

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