Ele entrou a passos largos, tirando o paletó e a gravata e os jogando de qualquer jeito, com as sobrancelhas unidas de desespero.
— Onde ela está?
— A febre já baixou?
A Sra. Silveira disse que ela estava no quarto principal do segundo andar, e Rodrigo subiu as escadas pulando os degraus de dois em dois. A Sra. Silveira precisou correr para conseguir acompanhá-lo.
— O Dr. Soares está aí. Ela já tomou o remédio e fizemos resfriamento físico. A febre não baixou completamente, e o Dr. Soares está aplicando soro na Sra. Jardim agora. Não se preocupe, jovem mestre. A Sra. Jardim é abençoada e nada de ruim vai acontecer.
Mas Rodrigo não conseguia processar essas palavras. Caminhou apressadamente até a porta do quarto e escancarou-a de uma vez, mas, temendo que o estrondo da porta batendo na parede acordasse Inês, rapidamente estendeu a mão para segurar o batente.
Ao vê-lo chegar, Adrian e Alice se levantaram silenciosamente e caminharam para fora.
Adrian falou:
— Ela está no soro. Fique de olho. Se acabar, me chame.
Alice chamou-o baixinho de 'irmão', sentindo-se um pouco culpada porque Inês havia pedido para não contar a ele, e ela não havia contado.
Os dois saíram e fecharam a porta.
Rodrigo foi até a beira da cama e viu apenas uma mulher de aparência lamentável e bochechas coradas, afundada no centro de sua grande cama, deitada perfeitamente imóvel e dormindo em silêncio.
O quarto de Rodrigo possuía um estilo frio, sem uma quarta cor além do preto, branco e cinza.
Ao ver Inês coberta pelo seu edredom cinza-escuro, ele franziu o cenho e decidiu imediatamente que pediria à Sra. Silveira para mandar trocar toda a decoração da casa.
Rodrigo inclinou-se e beijou as pálpebras de Inês. Conseguiu sentir claramente que estavam escaldantes. Então tocou em outros pontos de seu corpo e percebeu que todos continuavam quentes.
Somente a mão onde o cateter estava espetado permanecia gelada.
Rodrigo se sentou e segurou gentilmente a mão fria de Inês entre as suas mãos quentes.
Ele ficou estático ao lado da cama, apenas olhando para ela e conferindo o frasco de soro de vez em quando.
Adrian entrou para trocar os frascos de remédio duas vezes. Ao colocar a última bolsa, ele disse:
— A febre já está abaixando. Ela deve acordar daqui a pouco. A Sra. Silveira preparou uma canja e um caldo nutritivo. Quando ela acordar, você avisa e nós trazemos.
— Tudo bem. — A voz de Rodrigo estava um pouco rouca. — A Inês não vai voltar para lá nos próximos dias. Diga para o Mike continuar dormindo na clínica e não conte a ele que a irmã ficou doente.
Ela teve apenas uma febre e mesmo assim conseguiu fazer os olhos de Rodrigo, um homem adulto, ficarem vermelhos e marejados.
Na vida dela, aquilo sim era um verdadeiro luxo.
Inês soltou o canudo. Depois de beber água, a garganta estava um pouco mais úmida e ela perguntou:
— Febre é contagiosa?
Ela só sabia que gripe era contagiosa.
Rodrigo encostou a própria testa na dela. A febre realmente havia diminuído, mas ainda estava um pouco quente.
Ele murmurou em voz baixa:
— Não.
Se Rodrigo disse que não, então não deveria ser. De qualquer forma, ela também não sabia se realmente era ou não. Inês formulou esse pensamento devagar em sua mente, soltou um murmúrio afirmativo, ergueu levemente o queixo e beijou os lábios de Rodrigo.
Uma vez. Duas vezes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...