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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 855

Quando os lábios de Inês se afastaram, Rodrigo a olhou profundamente nos olhos e segurou sua mão com delicadeza.

Beijos suaves pousaram em seu pulso, arranhado por um pedaço de metal, e nas pontas de seus dedos queimados.

Os olhos de Rodrigo não se desviavam dela.

Inês ergueu a outra mão, acariciando levemente o rosto dele, e abriu um sorriso fraco:

— Está tudo bem.

Rodrigo não disse nada, apenas a observava. Era um olhar que Inês não conseguia descrever e que raramente vira, uma mistura de zelo, angústia e até uma ponta de ressentimento.

— O lançamento foi um sucesso? — Inês também fixou o olhar no dele.

— Foi um sucesso absoluto. A versão que você nos deu era muito superior. — Rodrigo assentiu.

Quando Xica revelou que Inês havia aprimorado todo o produto, ele imediatamente desconfiou que a história de ir dormir era mentira. Durante o lançamento, ficou pensando se alguém que passou duas noites seguidas em claro não acabaria doente. E o fato é que ela realmente adoeceu.

— Eu peguei leve demais quando disse que te daria uma lição, por isso você me desobedeceu tão facilmente. — A voz de Rodrigo soou fria, mas seu olhar para Inês transbordava apenas dor. Em seis meses de convivência, era a primeira vez que a via doente. As bochechas, antes ruborizadas pela febre alta, tornaram-se pálidas à medida que a temperatura baixava, e até a cor de seus lábios havia desbotado.

Rodrigo abaixou a cabeça e mordiscou o lábio inferior dela. Queria castigá-la pela desobediência, mas também queria trazer um pouco de cor ao seu rosto, para dar a si mesmo algum conforto psicológico.

Inês soltou um leve gemido de dor e, quando Rodrigo libertou seus lábios, murmurou:

— Pare de intimidar uma doente.

Rodrigo tocou o rosto e o pescoço dela com a palma da mão e disse suavemente:

— A Sra. Silveira preparou uma canja. Espere aqui, vou buscar.

— Uhum. — Doente, Inês estava bem mais mansa.

Rodrigo não teve coragem de continuar repreendendo-a. Levantou-se e foi chamar Adrian para avaliar a situação. Alice, ao ouvir que Inês havia acordado, também se espremeu para entrar no quarto, enquanto Rodrigo desceu para a cozinha.

— Você me matou de susto. — Alice sentou-se na beira da cama, pegou o termômetro que Adrian lhe estendeu e, com destreza, colocou-o debaixo do braço de Inês. — Você estava fervendo como um vulcão. Quase desmaiou e ainda achou que era só hipoglicemia.

Inês tocou o braço de Alice e disse baixinho:

— É só uma febre, não se preocupe.

Inês murmurou um som de concordância, assentindo e sorrindo com os olhos semicerrados.

Eram raros os momentos em que ela ficava assim. Qualquer um que a visse não teria coragem de repreendê-la; ela podia fazer o que bem entendesse.

Adrian perguntou a Inês:

— Você raramente fica doente, não é?

— Muito raramente. — Inês confirmou.

— Então essa febre não é de todo mal para você. Encare como uma esterilização de alta temperatura no seu organismo. Lembre-se do que eu disse: sue um pouco e amanhã estará ótima.

— Quer que eu pegue mais um cobertor? — Alice perguntou, virando o rosto.

— Não seria má ideia, mas suar demais pode causar desidratação. Deixe duas garrafas de água no criado-mudo. — Adrian instruiu.

Alice virou-se e foi até o quarto de hóspedes buscar um edredom. Colocou-o do outro lado da cama, sem a intenção de cobrir Inês naquele exato momento.

Com o estômago pequeno e estando doente, Inês conseguiu tomar apenas meia tigela. Rodrigo não a forçou a comer mais. Afinal, a Sra. Silveira estava ali; quando sentisse fome, fariam mais.

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