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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 857

Após beijá-la por cerca de três minutos, Rodrigo ergueu a cabeça. Segurando o queixo dela com uma das mãos e fitando os olhos úmidos de Inês, perguntou com a voz rouca:

— Ainda tem coragem de me desobedecer?

Inês, ainda com a respiração ofegante pelo beijo, estava com os lábios levemente entreabertos. Seu olhar percorreu os contornos perfeitos e esculturais do rosto de Rodrigo. Ela balançou a cabeça de leve:

— Não sei como te responder. Queria dizer que não, mas no fundo, acho que ainda tenho.

Ambos eram adultos, como Rodrigo não entenderia o significado daquelas palavras? Ele se curvou novamente para abraçá-la, mas, em vez de beijá-la, apenas disse:

— É melhor você dizer que não tem coragem.

Inês ergueu os braços, envolvendo o pescoço dele, e foi direta:

— Tem algo me espetando.

A respiração de Rodrigo tornou-se ainda mais pesada:

— Você ainda está com febre.

O que ele queria dizer era "Inês, você não está pensando com clareza", mas ela pareceu interpretar parte da frase de outra forma e sussurrou em seu ouvido:

— O Dr. Soares disse que eu só preciso suar para melhorar.

O baixo ventre de Rodrigo se contraiu; metade do seu corpo parecia entorpecido.

— Você tem noção do que está dizendo? — Ele mordiscou suavemente o lóbulo da orelha dela, observando-a se encolher em seus braços, sensível. Era uma mistura de coragem e medo.

Com o rosto afundado no peito dele, Inês respondeu de forma abafada:

— Tenho.

Rodrigo a abraçou com força:

— O Adrian também disse que suar demais pode causar desidratação, imagine então fazer exercícios intensos. Sua febre ainda não passou completamente.

Inês não disse mais nada, apenas murmurou um "ah" abafado.

Rodrigo se sentiu um grande ingrato, mas sua preocupação com a saúde de Inês falava mais alto.

No fim das contas, os dois dormiram abraçados.

Como Inês tinha muito calor, cobriu-se apenas com um edredom. Rodrigo a puxou para os próprios braços, abraçando-a junto com a coberta.

Inês adormeceu novamente.

Talvez o barulho da água estivesse muito alto, pois a pessoa lá dentro não escutou.

Inês levantou a mão e bateu na porta:

— Rodrigo.

Dessa vez, ele ouviu.

O som da água parou abruptamente. Em menos de um minuto, a porta do banheiro se abriu. Rodrigo, enrolado em uma toalha branca, parou diante de Inês, ainda gotejando.

A porta estava apenas meio aberta, mas Inês ainda sentiu uma onda de ar gélido bater em seu rosto.

— Por que acordou? A febre baixou? — Rodrigo enxugou as mãos e colocou as costas de uma delas na testa de Inês. Não estava quente. A febre havia cedido, o rosto dela ainda estava um pouco pálido, mas não completamente sem cor.

Foi com esse toque que Inês constatou, com firmeza:

— Você estava tomando banho frio.

Rodrigo retirou a mão imediatamente e mudou de assunto:

— Volte para a cama. Eu já saio.

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