Rodrigo encostou o carro na beira da rua, parou por um breve minuto e tirou uma foto do painel para Inês, mostrando que não estava respondendo enquanto dirigia e que estava em segurança.
Inês deu uma risada e não enviou mais mensagens. Em vez disso, começou a checar as mensagens que não tivera tempo de responder nos últimos dias.
Como, por exemplo, as mensagens de preocupação do Dr. Novais, de Xica e de Paulina Ramalho, e os parabéns de Augusto Ramalho.
Mas o mais importante de tudo: precisava trocar de roupa rapidamente e ir à Mansão Oliveira para acalmar a raiva da Dona Cláudia.
Como era de se esperar, levou uma bronca.
Dona Cláudia cutucou a têmpora de Inês e disse:
— Você seria capaz de fazer o Ruslan ressuscitar de raiva!
Inês pensou consigo mesma que isso seria maravilhoso, mas não ousou dizer em voz alta, com medo de deixar Dona Cláudia ainda mais irritada.
O Sr. Vieira também suspirava pelos cantos.
Inês não havia aparecido nas notícias da coletiva de imprensa, e quando ligaram, foi Rodrigo quem atendeu. Cláudia Ferraz e o Sr. Vieira logo deduziram que Inês certamente havia chegado ao limite da exaustão e decidiram esperar que ela descansasse antes de brigar com ela.
Mas o descanso durou vários dias, o que os fez perceber que não era apenas exaustão, ela estava doente.
Todos esconderam isso deles, deixando-os preocupados e furiosos ao mesmo tempo.
Inês rapidamente agarrou o braço de Dona Cláudia, começando a se desculpar:
— Errei, errei, Dona Cláudia. A culpa foi minha.
— Vai fazer isso de novo? — perguntou Cláudia.
Inês ficou em silêncio.
Cláudia cutucou sua têmpora novamente:
— Você quer me matar de desgosto.
— Não, Dona Cláudia. — Inês olhou para a idosa, sentindo o coração aquecido. — Como eu poderia querer matar a senhora? Eu só quero que viva até os cem anos, com muita saúde.
Cláudia arregalou os olhos para ela:
— Você aprendeu a bajular as pessoas também.
Inês havia mudado muito desde que começou a namorar Rodrigo, uma mudança muito maior do que nos quatro anos em que esteve casada com Abel.
Ver Inês se tornando mais suave e aberta deixava o coração de Cláudia feliz.
— Mudei de ideia. Não vou.
Cláudia riu enquanto a xingava afetuosamente:
— Menina teimosa.
Inês acompanhou a risada. Ficou na Mansão Oliveira para almoçar com Dona Cláudia e, à tarde, caminhou com ela pelo jardim, sentindo no ar a chegada da primavera.
De repente, Cláudia mencionou a Família Siqueira.
— Eu não queria tocar nesse assunto, para não te deixar chateada, mas preciso te contar uma coisa. Quero que você se sinta segura e não tenha medo deles.
Inês olhou atentamente para Dona Cláudia.
— O Ruslan e eu acumulamos um bom patrimônio ao longo dos anos. Quando eu faltar, metade será doada e a outra metade ficará para você.
— Essa também era a vontade do Ruslan. Na carta que ele me deixou, ele mencionou isso. Não te contei tudo naquela época, com medo de que você recusasse de imediato. Estou te contando agora para que você não se sinta inferior ao lidar com a Família Siqueira, nem sinta qualquer complexo de inferioridade diante da Família Simões.
— Mas, mais importante que isso, você mudou muito. Você aprendeu a aceitar as bondades que os outros lhe fazem, sem sentir instintivamente que isso é uma pressão, sem gerar aquela resistência inconsciente. Antes, se alguém te desse uma gota de carinho, você queria retribuir com um oceano de favores.
Inês agora possuía a capacidade de amar e, portanto, também sabia receber o amor que as pessoas lhe ofereciam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...