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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 884

— Não foi tão ruim — disse ele, estendendo a mão para pegar o cigarro e prendendo-o entre os dedos.

— Ele não te bateu por causa da Julieta Lima, foi por causa da Inês. A Inês é irmã biológica dele — explicou Bryan.

— Nunca vi ele tratar a Inês tão bem assim antes. Ele não era louco pela Lucinda? — A mão de Abel, que segurava o cigarro, parou por um instante.

— A Julieta contou tudo para ele, inclusive que se uniu à Lucinda para enganá-lo e prejudicar a Inês. Durante esse tempo, ele foi pessoalmente à Cidade GIO para procurar os pais biológicos da Lucinda — respondeu Bryan.

Abel nunca conseguiu absorver muito bem o fato de Inês ser a verdadeira herdeira do Grupo Siqueira, pois isso não era o que mais lhe importava. Sua verdadeira preocupação sempre fora a relação entre Inês e Rodrigo.

— Ninguém consegue viver enganado para sempre. Assim como você, você deveria entender. O Douglas não aguentou a raiva, ou melhor, perdeu completamente a cabeça — disse Bryan, olhando para Abel.

Sobre a forma como Abel tratara Inês no passado, ele preferiu não mencionar. Dizer aquilo em voz alta só causaria mal-estar, e, de qualquer forma, Abel tinha plena consciência de seus próprios atos.

— Eu concordo com o acordo — disse Abel ao policial, levantando-se e girando o cigarro apagado entre os dedos.

Quanto a pedidos de desculpas ou indenizações, Abel não exigiu nada, apenas caminhou para fora da delegacia.

Bryan suspirou de alívio e seguiu o policial até Douglas. Ele estava sentado no chão, com os olhos baixos, e sequer levantou a cabeça ao ouvir os passos, como se nada daquilo lhe dissesse respeito.

Seu rosto ainda exibia uma expressão de pura fúria.

Raiva de si mesmo, raiva de Abel.

Desde que voltara da Cidade GIO, um nó sufocante havia se formado em seu peito. Era-lhe inconcebível imaginar que Inês tivesse crescido em um ambiente tão hostil, e ainda mais impensável que a grande responsável por tudo aquilo fosse a própria mãe deles.

Inês havia lutado para crescer, apenas para cruzar com Abel, um canalha que gastava tudo para sustentar amantes, além de ter que lidar com um irmão biológico que a insultava sem critério e uma impostora ardilosa e manipuladora.

A impostora se unira àquela víbora para encurralar Inês, e ele próprio havia sido uma arma nesse cerco, apunhalando a irmã com suas palavras.

Abel fora ainda pior que ele.

— Não teve nenhum motivo — retrucou Douglas.

— Mas eu sei que foi por causa da Inês. — Bryan o avaliou da cabeça aos pés. — Vendo essa sua cara de insatisfação, você acha que bater no Abel e acabar preso vai aliviar o peso na sua consciência? Seria muito melhor ir pedir desculpas à Inês pessoalmente.

— É melhor não mencionar nenhum de nós na frente da Inês. Ela está vivendo muito bem agora — disse Douglas, sem negar a primeira parte da fala de Bryan, mas refutando a última.

Naquele instante, Douglas pareceu finalmente compreender por que seu pai, mesmo sabendo há tempos que Inês era sua filha biológica, não a havia procurado antes, e por que, após o reencontro, não forçara nenhuma aproximação.

Primeiro, porque não tinha coragem de encará-la; segundo, porque não queria causar ainda mais problemas para ela.

Eles, essa chamada 'família', só haviam trazido dor e confusão para a vida de Inês e, depois, se mantido afastados. Retornar agora para incomodá-la, logo quando ela havia conquistado a própria felicidade com tanto esforço, seria uma atitude de uma desfaçatez sem tamanho.

Douglas foi arrastado à força por Bryan para fora da delegacia. Na calçada, ele avistou o pai, um homem prestes a completar sessenta anos, aparentando estar muito mais envelhecido do que antes.

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